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Calvino e os decretos permissivos

Os decretos permissivos estão resumidos na Confissão de fé de Westminster no Capítulo V, seção IV.
Calvino lutou com este problema. O calvinismo de Calvino, publicado em Genebra em 1552, traduzido para o inglês por Henry Cole e publicado em Cambridge em 1856, e reimpresso por Eerdmans em 1950, contém escritos menores nos quais Calvino matem vigorosamente que:

(1) Todas as coisas estão incluídas nos decretos de Deus;
(2) Deus não é autor do pecado.

Calvino disse: É provado com toda claridade possível que Deus não é o autor do pecado em nenhum sentido, em nenhum grau, e nem de forma alguma.

Nas Institutas, Calvino disse: Agostinho, em certo lugar disse que o endurecimento e a cegueira não pertencem à operação, mas sim a presença de Deus. Parece que Calvino não está de acordo com isto porque acrescenta: Freqüentemente se diz que Deus cega e endurece os réprobos, e muda, inclina e influência seus corações como já tenho dito em outro lugar.Porém ele não proporciona uma explicação da natureza desta influência ao recorrer ao tema da presciência ou o da permissão.
Continua Calvino no parágrafo seguinte: Em algum lugar Agostinho fez a distinção correta: Que o pecado procede dos homens mesmo, que ao pecarem trazem para si esta ou aquela situação em particular, é o poder de Deus, que divide as trevas segundo o seu próprio prazer.
Mais tarde Calvino dá uma declaração equilibrada que é representativa do seu ponto de vista: E neste assunto também, tanto quanto o outro, Agostinho discute prudentemente: “Confessamos saudavelmente, o que cremos corretamente, que Deus é o Senhor de todas as coisas, que criou todas as coisas, as boas grandemente, e previu a maldade do bom, e sabia que era mais conveniente para sua bondade tirar o bem do mal, que não permitir a existência do mal, e ordenou a vida dos anjos e dos homens de tal maneira que se exibisse nela, primeiro o que o livre arbítrio foi capaz de fazer, e depois o que poderia efetuar as benções da sua graça, e sua sentença de justiça”. Aqui ele quis ensinar (A mera permissão) e para isto recorre à distinção entre vontade e a permissão, e insiste que Deus permite a destruição dos ímpios, porém não a ordena.

Porque razão estamos destinados a fazer o permitido? Se não porque é sua vontade.
Há muito mais neste contexto, e o título do próximo capítulo de Calvino é: “A eleição confirmada pelo chamado divino”. A destinada destruição dos réprobos é procurada por eles mesmos.
Em outras palavras, Calvino ensina que Deus não é em nenhuma maneira o autor do pecado, que a causa do pecado é o próprio pecador e não Deus, e que o pecado chegou a ser uma atualidade não por mera presciência de ações que foram incluídas nos decretos de Deus, mas sim que Deus escolheu e decretou permitir ao pecador que cometa pecado.
Alguns têm resistido à óbvia distinção entre decretos permissivos e decretos diretivos (ou positivos).
Calvino sustentou a doutrina de que: “Deus ordenou permitir o pecado, do qual Ele em nenhum sentido é a causa.”
Há uma grande lacuna entre o reconhecimento dos decretos permissivos de Deus (Segundo o conselho de sua vontade) e a doutrina errônea da mera permissão.
A doutrina da vontade permissiva de Deus se confirma explicitamente pelo apóstolo Paulo em sua discussão da atitude de Deus frente o pecado de Faraó registrado no capítulo 9 de Rm. Depois de indicar que não temos o direito de discutir com Deus, pois não entendemos os seus decretos, pois somos como barros na mão do oleiro. Continua Paulo: E que se Deus, querendo mostrar sua ira e fazer notório seu poder, suportou com muita paciência os vasos de ira preparados para a destruição, a fim de que também desse a conhecer as riquezas de sua glória em vasos de misericórdia que Ele preparou de antemão para a glória.(Rm.9:22,23).
A palavra “suportou” “enegken”, claramente ensina que Deus por sua própria vontade escolheu permitir o pecado para dele tirar algo bom. Esta é a doutrina dos decretos permissivos de Deus.