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O conhecimento da própria eleição e os benefícios que daí advém, é o supremo incentivo para um amor humilde, alegre e agradecido, a mola principal da gratificação santificadora

A Doutrina da Eleição
(Claude Duvall Cole)

Não há nenhuma doutrina tão vergonhosamente mal representada. A queixa do irmão A.
S. Pettie contra os inimigos da depravação total é aplicada aqui com toda justiça, quando
ele diz: "De lábios hostis, uma afirmação justa e correta da doutrina, nunca é ouvida". O
tratamento que a doutrina da eleição recebe das mãos de seus inimigos é muito parecido
com o que os cristãos primitivos receberam dos imperadores romanos. Os cristãos antigos
foram muitas vezes vestidos de peles de animais sacrificados, e depois sujeitos ao ataque
de animais selvagens ferozes. Do mesmo jeito a doutrina da eleição é vestida com um
traje horrível, e exposta ao ridículo e zombaria. Agora vamos tentar despir esta verdade
gloriosa do seu traje falso e vicioso, com o qual mãos inimigas a vestiram, e colocar os
trajes de santidade e sabedoria.

1. Eleição não é salvação, mas é para a salvação.
"Pois que? o que Israel buscava não o alcançou; mas os eleitos o alcançaram, e os outros
foram endurecidos", Rom. 11:7; "...por vos ter Deus elegido desde o princípio para a
salvação"; II Tess. 2:13. Então, se o eleito obtém a salvação, e a eleição é para a salvação,
ela deve preceder à salvação. Os homens são salvos quando crêem em Cristo, não quando
são eleitos. Roosevelt não foi presidente quando foi eleito, mas quando foi empossado.
Não houve só uma eleição, mas uma indução ao cargo. Os eleitos de Deus são induzidos
à posição de santidade pela chamada eficaz (o trabalho de vivificação do Espírito Santo),
através do qual tornam-se crentes no Evangelho. Veja I Cor. 1:29 e II Tess. 2:13-14.

2. A eleição não é a causa de ninguém ir para o inferno, porque a eleição é para a
salvação.
Também a eleição não é responsável pela perdição dos pecadores. O PECADO é que
manda os homens para o inferno, e todos os homens são pecadores por natureza e prática
- totalmente pecadores, à parte da eleição ou não. Isto não quer dizer que porque a eleição
é para a salvação, que a não eleição é para a perdição. O PECADO é o elemento que
condena na vida do homem. A ELEIÇÃO NÃO PREJUDICA A NINGUÉM.

3. A eleição pertence ao sistema da graça.
Nos dias de Paulo houve um remanescente entre os judeus que foi salvo de acordo com a
eleição da graça (Rom. 11:5). A atitude dos homens em relação à eleição é o teste final de
sua crença na graça. Aqueles que se opõem à eleição não podem consistentemente
proclamar que crêem na salvação pela graça. Isto é visto nos credos da cristandade. As
denominações que crêem na salvação pelas obras não dão lugar à doutrina da eleição em
suas confissões de fé; os que crêem na salvação pela graça, à parte do mérito humano,
não falham em incluir eleição em seu credo escrito. Um grupo é encabeçado pelos
católicos romanos; o outro grupo pelos batistas.

4. A eleição não impede a salvação de ninguém que queira ser salvo.
Mas é preciso fazer uma distinção entre um simples desejo de se escapar ao inferno e o
desejo de ser salvo do pecado. O desejo de ser salvo do inferno é natural - ninguém quer
ficar queimando. O desejo de ser salvo do pecado é espiritual, e é um resultado da obra
convincente do Espírito Santo. E a graça eficaz de Deus é a mãe desse desejo.
Representar a eleição dizendo que Deus prepara o banquete do Evangelho, e um homem
chega à mesa faminto pelo pão da vida, mas Deus diz: "Não! Isto não é para você, pois
não é um dos meus eleitos", é representar mal a Santa Doutrina. Aqui está a verdade:
Deus preparou o banquete, mas o fato é que ninguém quer vir à mesa! "E todos à uma
começaram a escusar-se". Deus sabia como a natureza caída ia agir, e Ele não perdeu a
chance de que Sua mesa ficasse completa, por isso disse a Seus servos que saíssem e os
compelissem a vir. Veja Lucas 14:23. Se não fosse pela obra redentora de Cristo, não
haveria nenhum banquete do Evangelho; se não fosse pela obra compulsória do Espírito
Santo, não haveria nenhum convidado à mesa. Um simples convite não traz ninguém à
mesa.

5. A eleição significa que o destino dos homens está nas mãos de Deus.
Muitos de nós consideramos como um axioma a afirmação de que o destino de cada
homem está em suas próprias mãos. Mas isto é negar o teor inteiro das Escrituras. Em
nenhum momento o destino dos santos está em suas mãos, nem antes nem depois de
salvos. Meu destino estava em minhas próprias mãos antes da minha salvação? Se
estivesse, eu me regenerei e ressuscitei pelo meu próprio poder, de um estado de pecado e
morte; sou meu próprio benfeitor e não tenho que agradecer a ninguém, a não ser a mim
mesmo por estar vivo e salvo. Que tal pensamento pereça! "Pela graça de Deus sou o que
sou". Leia João 1:13, Efésios 2:1-10, II Timóteo 1:9 e Tiago 1:18.
Meu destino está em minhas próprias mãos agora? Então vou me manter salvo ou perder
a minha salvação. Mas a Bíblia diz que somos guardados pelo poder de Deus, através da
FÉ. I Pedro 1:15, Salmos 37:28, João 10:27-29, Filipenses 1:6 e Hebreus 13:5. Se meu
destino não estiver seguro em minhas mãos depois da minha salvação, então como
poderia imaginá-lo salvo em minhas próprias mãos antes da minha conversão?
O santo morre, seu corpo é sepultado e se torna pó. O destino dele está ainda em suas
mãos? Se estiver, que esperança tem de sair do túmulo com um corpo imortal e
incorruptível? Ninguém, mas ninguém mesmo, tem seu destino em suas próprias mãos.
Tal teoria, de que o destino dos santos está ou já esteve em suas mãos, é contrária às
próprias leis da natureza e implica que a água pode subir acima do nível de sua fonte; que
o homem pode erguer-se até o sótão pelo cadarço do sapato; que o etíope pode mudar sua
cor e o leopardo pode tirar suas manchas; que a morte pode gerar a vida; que a evolução é
verdade e que Deus é mentiroso. A teoria de que o destino de alguém está em suas mãos
gera autoconfiança e justiça própria; a crença que o destino está nas mãos de Deus gera
AUTO-ABNEGAÇÃO E FÉ EM DEUS.

6. A eleição permanece firme ou cai com a doutrina da soberania de Deus e depravação
do homem.
Se Deus é soberano e o homem é depravado, então segue-se uma conseqüência natural,
que alguns serão salvos, ou ninguém será salvo, ou todos serão salvos. Os resultados
práticos da eleição são que alguns, sim muitos, serão salvos. A eleição não é um plano
para salvar só um simples bocadinho de gente. Cristo deu-Se como resgate por muitos.
Veja Mateus 20:28 e Apocalipse 5:9. A soberania de Deus envolve Seu prazer, João 5:21
e Mateus 11:25-27; Seu poder, Jó 23:13, Jeremias 32:17 e Mateus 19:26; e Sua
misericórdia Rom. 9:18.

7. Os eleitos são manifestados em arrependimento, fé e boas obras.
Estas graças, sendo feitas por Deus ao homem, não são as causas, mas as evidências da
eleição. Veja I Tessalonicenses 1:3-10, II Pedro 1:5-10, Filipenses 2:12-13 e Lucas 18:7.
O homem que não ora, que não se arrepende dos seus pecados e confia em Cristo, e que
não se empenha nas boas obras não tem o direito de dizer que é um dos eleitos de Deus.
ALGUNS PONTOS DE VISTA FALSOS EXAMINADOS E REFUTADOS
Muitos crentes professos realmente não têm uma opinião sobre eleição. Eles nem mesmo
pensam bastante, nem estudam para ter qualquer opinião sobre ela. Muitos têm pontos de
vista errados. Vamos notar alguns deles.

1. O ponto de vista que os homens são eleitos quando crêem. Este ponto de vista é
facilmente refutado, porque é contrário tanto ao senso comum, quanto às Escrituras. A
eleição é para a salvação, e portanto, deve precedê-la. Não tem sentido falar em eleger
um homem para alguma coisa que ele já tem. O homem tem salvação quando crê e
portanto a eleição neste ponto não seria necessária. A ELEIÇÃO TEVE LUGAR NA
ETERNIDADE: A SALVAÇÃO TEM LUGAR QUANDO O PECADOR CRÊ.

2. O ponto de vista que a eleição pertence só aos judeus. Este ponto de vista tira dos
gentios o conforto de Romanos 8:28-29. Além disso, Paulo, que foi um apóstolo aos
gentios, diz que ele suportou tudo pelos eleitos, para que eles pudessem obter a salvação,
II Timóteo 2:10.

3. O ponto de vista que a eleição teve lugar na eternidade, mas que foi tendo em vista o
arrependimento previsto e fé.
De acordo com este ponto de vista, Deus, na eternidade, olhou através dos séculos e viu
quem ia se arrepender e crer, e estes que Ele viu de antemão foram eleitos para a
salvação. Este ponto de vista está correto só em um ponto, que é: a eleição teve lugar na
eternidade. Mas está errado quando faz a base da eleição ser algo no pecador, em vez de
alguma coisa em Deus. Leia Efésios 1:4-6, onde diz que a eleição e predestinação são
"segundo o beneplácito de Sua vontade" e "para louvor e glória de Sua graça". Este ponto
de vista, apesar de ser o mais popular entre a maioria dos batistas hoje, está aberto a
muitas objeções:

(1) Ele nega o que a Bíblia diz sobre a condição do homem por natureza. A Bíblia não
descreve o homem natural como tendo fé, I Coríntios 2:14 e João 3:3. Tanto o
arrependimento quanto a fé são dons de Deus, e Ele não viu estas graças em nenhum
pecador, à parte do Seu propósito de dar-lhes. "Deus com a Sua destra o elevou a
Príncipe e Salvador, para dar a Israel o arrependimento e remissão dos pecados", Atos
5:31. "E, ouvindo estas coisas, apaziguaram-se, e glorificaram a Deus, dizendo: Na
verdade até aos gentios deu Deus o arrependimento para a vida", Atos 11:18. "Instruindo
com mansidão os que resistem, a ver se porventura Deus lhes dará arrependimento para
conhecerem a verdade", II Timóteo 2:25. Leia também Efésios 2:8-10 e I Coríntios 3:5. A
eleição não foi por causa de uma fé prevista, mas por causa da descrença prevista. Não é
a eleição dos fiéis de Deus, mas a fé dos eleitos de Deus, se quisermos manter as palavras
da Escritura, Tito 1:1.

(2) Ele faz a raça humana diferir por natureza, visto que, a Bíblia diz, que todos nós
somos por natureza filhos da ira e todos barro da mesma massa, Efésios 2:3 e Romanos
9:21. Os a homens são diferentes quanto ao novo nascimento, João 3:6.

(3) Ele perverte o significado das Escrituras da palavra "pré-conhecimento". Esta palavra,
como está na Bíblia, significa mais do que conhecimentos sobre as pessoas. É o
conhecimento das pessoas. Em Romanos 8:29-30 os conhecidos são predestinados à
imagem de Cristo, e são chamados, justificados e glorificados. Em I Pedro 1:2 a palavra
para "presciência" é a mesma para "conhecido" no vigésimo versículo do mesmo
capítulo, onde o significado não pode ser "conhecimento" sobre Cristo. O conhecimento
de Deus sobre as pessoas não tem limites, ao passo que Seu conhecimento de pessoas é
limitado aos que são realmente salvos e glorificados.

(4) Ele está aberto à objeção mais forte que pode ser feita contra o ponto de vista da
Bíblia. Sempre se pergunta: "Se certos homens são eleitos e salvos, então o que adianta
pregar aos que não são eleitos? Com igual propriedade podemos perguntar: "Se Deus
sabe quem vai se arrepender e crer, então porque pregar àqueles que de acordo com Seu
conhecimento não vão se arrepender nem crer?" Será que alguns que Ele sabia que não se
arrependeriam nem creriam, vão se arrepender e crer? Se for assim, Ele previu uma
mentira.

É esta a fraqueza de muitas missões modernas. Ela está baseada na compaixão pelo
perdido e não na obediência ao mandamento de Deus. A inspiração das missões é feita
para depender dos resultados práticos do esforço missionário e não no prazer de fazer a
vontade de Deus. É o princípio de fazer uma coisa, porque os resultados nos satisfazem.
Se formos fiéis, Deus se agradará com os nossos esforços, mesmo sem resultados. Pense
em II Coríntios 2:15-16. A eleição precedente à conversão deles é conhecida só a Deus.
Temos que pregar o Evangelho a cada criatura, porque Ele mandou fazer isto. Deus
cuidará dos resultados. Veja Isaías 55:11, I Coríntios 3:5-6 e João 6:37-45. Nossa
responsabilidade é testemunhar; Deus é quem fará nosso testemunho eficaz.