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VESTUÁRIOS NOS TEMPOS BÍBLICOS




O modo de se vestir dos israelitas mudou aos poucos no decorrer dos séculos.Notemos a evolução de cinco artigos básicos de vestuário.
Deus fez vestimentas para Adão e Eva. "Fez o Senhor Deus vestimenta de peles para Adão e sua mulher, e os vestiu" (Gênesis 3:21). Esta vestimenta (Hebraico, kethon)era uma camisa simples feita de pele de animal.Mais tarde, os hebreus começaram a fazer camisas de linho ou de seda (para pessoas importantes). Assim, lemos que José usava "uma túnica talar de mangas compridas" (Gênesis 37:3), que a ERC traduz como "túnica de várias cores".

Embora o kethon tenha permanecido como costume do povo comum, outra forma de vestido chamada simlah entrou em moda. Sem e Jafé tomaram esta vestimenta para cobrir a nudez de seu pai (Gênesis 9:23). A princípio, os israelitas faziam a simlah de lã, porém mais tarde usava-se pêlo de camelo. Tratava-se de uma vestimenta exterior semelhante a um lençol grande com um capuz, e os judeus a usavam como roupa de frio. Os pobres a usavam como vestido básico de dia e como capa de noite (Êxodo 22:26-27).

Em casa, em ocasiões especiais, os israelitas usavam o beged Isaque e Rebeca vestiram seu filho Jacó com esta roupa, que eles consideravam a melhor (Gênesis 27:15). Os israelitas consideravam o beged um distintivo de dignidade do usuário, e era usado por membros distintos de famílias importantes. Depois de instituídos os rituais do templo, os sacerdotes passaram a usar o beged.

O quarto artigo de vestuário, o lebhosh (que significa "vestir"), era de uso geral. Contudo, com o tempo tornou-se uma vestimenta exterior tanto para os ricos como para os pobres. Assim, diz a Bíblia que Mordecai usava um lebhosh de pano de saco (Ester 4:2), enquanto um lebhosh mais requintado podia servir de "veste real" (Ester 8:15). O Salmista referiu-se a esta vestimenta quando escreveu: "Repartem entre si as minhas vestes, e sobre a minha túnica deitam sortes" (Salmo 22:18).

Finalmente, a addereth era usada para indicar que o usuário era uma pessoa de importância (Josué 7:21). Esta vestimenta era também um tipo de capa ou abrigo exterior. Tal capa ainda é usada hoje por muitos na Palestina, sem levar em conta sua posição social.

Esses exemplos demonstram como mudou o uso de certas vestimentas à medida que mudou a sociedade judaica. E a manufatura dessas vestes mostra a disponibilidade de diferentes materiais têxteis em cada época da história.

Este artigo analisará quatro diferentes aspectos do vestuário dos tempos bíblicos ― o tecido, o vestuário masculino, o vestuário feminino, e o vestuário dos sacerdotes. Notaremos também o uso que a gente do Oriente Próximo fazia de jóias e cosméticos.

TIPOS DE TECIDOS
Gênesis 3:7 diz que Adão e Eva perceberam que estavam nus e coseram folhas de figueira e fizeram "cintas" ou "aventais" (hebraico, hagor).Então o Criador fez para Adão e Eva vestes de peles, antes de expulsá-los do jardim do Éden (Gênesis 3:21). Mais tarde, entraram em uso vários tecidos para roupas.

A. Linho.O linho, feito da planta do mesmo nome, e cultivada especialmente para esse fim, era um dos mais importantes tecidos para os israelitas. Antes de os israelitas conquistarem o país, os cananeus já o usavam (Josué 2:6).
O linho era um tecido versátil, podendo ser grosseiro e espesso, ou muito fino e delicado. O linho fino e quase transparente dos egípcios gozava de alta reputação. Também faziam eles linho grosseiro, tão pesado que podia ser usado para tapetes ou para cobrir o chão.

Os tecidos de linho fino eram usados pelos que desfrutavam de posições sociais elevadas ou de riqueza (cf. Lucas 16:19), e os tecidos grosseiros eram usados pela gente comum. Os egípcios vestiram José com linho fino quando o fizeram seu governador (Gênesis 41:42).

As cortinas, o véu e os reposteiros do tabernáculo hebreu eram feitos de linho fino (Êxodo 26:1, 31, 36), como o eram as cortinas e reposteiros da porta do átrio e do próprio átrio (Êxodo 27:9; 16, 18). A estola e o peitoral do sumo sacerdote continham linho fino (Êxodo 28:6, 15). A túnica, o cinto e os calções que todos os sacerdotes usavam também eram feitos de linho branco de fina qualidade (Êxodo 28:39; 39:27-28).

O material mais usado para as vestes interiores, ou roupa de baixo, dos judeus era o linho. As vestes sepulcrais de Jesus eram feitas deste tecido. Diz a Bíblia que José de Arimatéia "baixando o corpo da cruz envolveu-o em um lençol [de linho fino] que comprara (Mc 15:46). O linho branco fino também era símbolo de pureza moral (Apocalipse 15:6).

B. Lã.Os judeus usavam a lã de ovelha como o principal material para roupas. Os mercadores da cidade de Damasco, na Síria, encontraram na cidade portuária de Tiro um mercado pronto para sua fina lã (Ezequiel 27:15). A lã é um dos mais antigos materiais usados para roupa tecida.

A lei de Deus não permitia que os israelitas fizessem vestimentas de uma mistura de lã e linho (Deuteronômio 22:11). Esta lei tinha diversos outros preceitos correspondentes ― tais como não semear semente de duas espécies num mesmo campo, ou não arar com junta de boi e jumento (Levítico 19:19). Talvez essas leis expressassem simbolicamente a idéia de separação e simplicidade que caracterizavam o antigo povo de Deus. Por outro lado, as vestes do sumo sacerdote eram feitas de tal mistura. Portanto, a mistura pode ter sido considerada santa e imprópria para a vestimenta comum.
A lã continuou sendo um dos principais materiais têxteis. Na verdade, a economia das terras bíblicas dependia grandemente dela.

C. Seda. Ezequiel 16:10, 13 descreve a seda como um tecido de grande valor. As palavras hebraicas para este pano eram sheshí e meshí. Alguns eruditos pensam que o termo encontrado em Provérbios 31:22 (sheshí) refira-se ao linho fino. Não sabemos se os egípcios usavam seda, mas os chineses e outros asiáticos a usavam nos tempos do Antigo Testamento. Certamente a seda chegou às terras bíblicas após a conquista de Alexandre, o Grande (cerca de 325 a. C). Mas pode ter chegado à Palestina mais cedo, visto que Salomão comerciava com os países vizinhos, possíveis produtores deste tecido.

A fina qualidade e a cor viva dos tecidos aumentavam-lhes o valor, de modo que a seda mantinha uma importante posição no mundo antigo. Os amantes do luxo da "Babilônia" (Roma?) do Novo Testamento prezavam muito a seda (Apocalipse 18:12). Em data tardia como o ano 275 de nossa era, os artigos de seda pura valiam o seu peso em ouro.
D. Pano de saco. Os israelitas usavam pano de saco como ritual de arrependimento, ou como sinal de luto. A cor escura e o tecido grosseiro deste material de pêlo de cabra tornava-o ideal para esse uso. Quando os irmãos de José o venderam aos ismaelitas, Jacó vestiu-se de pano de saco para chorar a perda do filho (Gênesis 37:34). Em tempos de extrema tristeza, os israelitas usavam este material rústico pegado à pele, como o fez Jó (Jó 16:15).

O Novo Testamento também associava o pano de saco com o arrependimento, conforme encontramos em Mateus 11:21: "Porque se em Tiro e em Sidom se tivessem operado os milagres que em vós se fizeram, há muito que elas se teriam arrependido com pano de saco e cinza." O israelita entristecido vestia-se com pano de saco e colocava cinzas sobre a cabeça, e depois se assentava nas cinzas. Nosso moderno costume ocidental de usar cores escuras nos funerais corresponde ao uso do pano de saco dos israelitas.

O pano de saco também era usado para fazer sacos para cereais (Gênesis 42:25; Josué 9:4)

E. Algodão. Não sabemos se os israelitas faziam roupas de algodão. A palavra hebraica pishtah significava um tipo de material de origem vegetal, em contraposição ao material de origem animal como a lã. O termo pode referir-se à planta do linho, ou ao algodoeiro.

Embora a palavra hebraica karpas geralmente fosse traduzida por cor (Ester 1:6; 8:15), é possível que se refira ao algodão. Tanto a Síria como a Palestina cultivam algodão hoje; mas não se sabe se os hebreus, antes de entrarem em contato com a Pérsia, o conheciam.

Vestuário e clima
O clima é um fator principal na determinação do vestuário de um povo. Pode-se ver isto comparando-se a roupa dos antigos hebreus com a dos povos que viviam em diferentes zonas climáticas.
Os egípcios do vale do Nilo rapavam a cabeça e o corpo para mantê-los frescos e limpos, e desenvolveram o tecido de linho ― praticamente o mais leve dos materiais de vestuário ― para compensar os efeitos do sol escaldante de sua região. Os trabalhadores egípcios usavam um simples pano nos lombos; em tempos primitivos, esta veste era também aceita para os homens em geral. No tempo do rei Tutankâmen (décimo-quarto século a.C), o pano de lombo passou a ser uma veste mais comprida, muito semelhante a um avental. As túnicas ou capas leves eram usadas sobre os ombros. As mulheres usavam uma vestimenta comprida, solta, que ia de baixo dos braços até ao tornozelo, e era presa nos ombros por uma ou duas tiras. A única vestimenta egípcia com mangas era o kalasiris, um retângulo de linho com mangas separadas.

Os egípcios preferiam o linho mais puro. Para calçado eles usavam couro ou sandálias de junco. A proteção da cabeça consistia em chapéus cênicos para os homens e turbantes para as mulheres. Muitos egípcios usavam leques, muito úteis na região quente em que viviam, além de serem decorativos.

Contraste-se a vestimenta dos antigos egípcios com a dos celtas, povo bárbaro que viveu no norte dos Alpes, no mínimo, por volta do sexto século a.C. Os celtas eram altos, musculosos, gente de pele dará que vivia e trabalhava num clima severo o frio. Sua economia básica era a lavoura. Criavam gado, cultivavam cereais, e engajavam-se em outras atividades agrícolas ― em climas consideravelmente mais frios do que o dei Egito.
Dependendo do clima da região, os celtas usavam roupa de baixo grossa e um tipo de meia ou perneira. Os homens das tribos cisalpinas por volta do terceiro século a.C. já usavam calças. Nesse tempo, os celtas também usavam túnicas cinturadas ou camisas com uma capa. Eles enrolavam pano nos pés. As mulheres celtas usavam uma única vestimenta comprida com uma capa.

Os celtas preferiam linhos grosseiros e lã para proteger-se do frio. Suas vestimentas eram coloridas, num variegado espectro que ia desde os tons mais escuros até os matizes do sol e brancos. Os egípcios, por outro lado, preferiam o branco; suas únicas cores alternativas eram azul, amarelo e verde claros.
Esses extremos nos estilos de vestir-se ― desde panos para os lombos, feitos de linho, no Egito, até às vestes grosseiras no norte da Europa ― ressaltam o papel que o clima desempenha na determinação do tipo de vestimentas de diferentes povos.

MANUFATURA DE TECIDOS
As mulheres judias faziam roupas por necessidade. A preparação dos tecidos e a fabricação de roupas eram considerados deveres femininos. Havia diversos processos de manufatura de tecidos.

A. Fiação de roca. As mulheres judias usavam a fiação da roca para fazer pano, visto como a roda de fiar era desconhecida naquele tempo. Elas colocavam a lã ou o linho na roca (uma vi semelhante), e então usavam um fuso para torcer as fibras em fios. A Bíblia menciona esta arte em Êxodo 35:25-26 e Provérbios 31:19

B. Tecelagem. Depois que as mulheres transformavam as matérias-primas em fio, usavam-no para tecer o pano. Chamamos de urdidum aos fios no sentido de seu comprimento, e de trama aos fios em sentido transversal do tear. As mulheres fixavam a trama numa lançadeira, instrumento que segurava o fio de sorte que ele pudesse passar por cima e por baixo dos fios da urdidura. A Bíblia não descreve especificamente o uso da lançadeira, mas está implícito em Jó 7:6. A urdidura era fixada a um pino de madeira no topo ou parte de baixo do tear, e o tecelão ficava de pé enquanto trabalhava. (A Bíblia não menciona o tear propriamente dito, apenas o pino ao qual se prendia a urdidura ― Juizes 16:14). Por este método podia-se produzir tecido de várias texturas.

Provavelmente os israelitas estavam familiarizados com a tecelagem bem antes do tempo de sua escravidão no Egito. Mas aqui eles aperfeiçoaram a arte a tal ponto que puderam fabricar as cortinas do templo mencionadas em Êxodo 35:35.
Os israelitas fabricaram vários tipos de tecidos nos anos de sua peregrinação pelo deserto. Tais tecidos incluíam vestimentas de lã (Levítico 13:48), linho retorcido (Êxodo 26:1), e as vestes bordadas dos sacerdotes (Êxodo 28:4, 39).

C. Curtimento. O curtimento era um processo de que dispunham os povos dos tempos bíblicos para secar peles de animais, preparando-as para uso. Empregavam cal, sumo de algumas plantas, e folhas ou casca de determinadas árvores para curtir as peles.
Os judeus consideravam desonroso o ofício de curtidor. Pedro desafiou este preconceito hospedando-se em casa de Simão, um curtidor, em Jope (Atos 9:43). Os curtidores judeus geralmente eram obrigados a exercer seu ofício fora da cidade.

D. Bordado. Os hebreus faziam lindos trabalhos de agulha. O termo bordador (hebraico shâbâts e râqam) aparece em Êxodo 28:39; 35:35; 38:23. A "obra de artista" (hebraico, châshab) mencionada em Êxodo 26:1 pode ter sido mais semelhante à decoração do que trabalho de agulha. Contudo, nenhuma dessas duas atividades se encaixaria à nossa moderna noção de decoração.
O bordador ou decorador tecia o pano com uma variedade de cores e depois aplicava sobre ele um desenho. Assim, a parte decorada do pano ficava de um lado do tecido. Em contraste, a "obra de artista" era feita tecendo-se fio de ouro ou figuras diretamente no tecido. Os judeus faziam este tipo sofisticado de decoração somente nas vestes usadas pelos sacerdotes.

E. Tintura. Os israelitas estavam familiarizados com a tintura na época de sua saída do Egito (cf. Êxodo 26:1,14; 35:25). O processo de tingir está descrito em pormenores nos monumentos egípcios; contudo, a Bíblia não apresenta relato preciso de como os hebreus tingiam seus tecidos.

Com algumas exceções, o algodão e o linho eram usados sem tingir. O algodão podia ser tinto de azul anil, mas o linho era mais difícil de tingir. De quando em quando fios azuis decoravam o que fora pano simples. Quando a Bíblia menciona a cor de um tecido que não o azul, isso quer dizer que se tratava de lã.
As cores naturais que os judeus usavam para tingir eram branco, preto, vermelho, amarelo e verde. O vermelho era uma cor muito popular do vestuário hebreu.

A púrpura, tão famosa no antigo Oriente Próximo, vinha de uma espécie de marisco do mar Mediterrâneo. Os hebreus tinham em alta conta os artigos de púrpura, mas empregavam o termo livremente para referir-se a toda cor de tom avermelhado. O Novo Testamento diz-nos que Lídia, da cidade de Tiatira, era "vendedora de púrpura" (Atos 16:14). Tiatira era famosa por seus tintureiros, daí supormos que Lídia negociava com tecido de púrpura e talvez fizesse seu próprio tingimento.

O CUIDADO DOS TECIDOS
Os tecidos eram lavados por lavandeiros nos tempos bíblicos. O lavandeiro profissional limpava as vestimentas pisando nelas ou batendo-as com um pedaço de pau numa tina de potassa usados como agentes de limpeza. Usavam-se também outras substâncias para limpar, tais como álcali e greda. Para branquear as vestimentas, os lavandeiros empregavam a "terra de lavandeiro".

O trabalho do lavandeiro criava um cheiro desagradável, por isso era feito fora da cidade. Os lavandeiros lavavam e secavam as roupas num lugar chamado "campo do lavandeiro", no lado norte da cidade de Jerusalém. Seu abastecimento de água vinha do açude superior de Giom, na parte norte da cidade. A Bíblia diz que o rei da Assíria enviou soldados contra Jerusalém, partindo desta direção (2 Reis ; 18:17). É interessante notar que o campo do lavandeiro estava tão próximo dos muros da cidade que os embaixadores assírios no campo podiam ser ouvidos das muralhas.

VESTUÁRIO MASCULINO
Os israelitas quase não receberam influências das vestes dos países vizinhos, visto que suas viagens eram limitadas. As modas dos homens israelitas permaneceram quase inalteradas, geração após geração.
A. Roupa de uso geral. Comumente, os homens judeus usavam uma veste interior, uma exterior, um cinto e sandálias. Os árabes atuais usam as mesmas vestes flutuantes e fazem a mesma distinção entre vestimentas "interiores" e "exteriores" ― sendo as vestimentas interiores de material leve e as exteriores de material pesado e quente. Os árabes modernos fazem uma visível distinção entre a roupa dos ricos e a dos pobres, sendo que os ricos usam materiais mais finos.
1. Vestimenta interior. A "vestimenta interior" do homem israelita assemelhava-se a uma camisa justa, apertada. A palavra hebraica mais comum para esta vestimenta (kethoneth) é traduzida variadamente como capa, manto, túnica e vestimenta. Era feita de lã, de linho ou de algodão. As mais primitivas dessas vestes eram feitas sem mangas e chegavam apenas até aos joelhos. Mais tarde, a vestimenta interior estendeu-se até aos pulsos e os tornozelos.
Dizia-se estar nu o homem que usava apenas esta vestimenta interior (1 Samuel 19:24; Isaías 20:2-4). O Novo Testamento provavelmente se refere a esta vestimenta quando diz que Pedro "cingiu-se com sua veste porque se havia despido, e lançou-se ao mar" (João 21:7).

2. Cinto. O cinto do homem era uma cinta ou faixa de pano, de corda, ou de couro, com 10 cm de largura, ou mais. Um prendedor permitia-lhe ser afrouxado ou apertado. Os judeus usavam o cinto de duas maneiras: como um laço em torno da cintura da vestimenta interior ou ao redor da vestimenta exterior. Quando usado em torno da vestimenta interior, muitas vezes era chamado de pano do lombo ou pano da cintura. O uso do cinto realçava a aparência da pessoa e impedia que os mantos longos e flutuantes interferissem no trabalho diário e nos movimentos. A expressão bíblica "cingir os lombos" significava colocar o cinto; queria dizer que a pessoa estava pronta para o serviço (1 Pedro 1:13). Por outro lado, "desatar o cinto" significava que a pessoa era preguiçosa ou estava descansando (Isaías 5:27).

3. Vestimenta exterior. Os homens hebreus usavam uma "vestimenta exterior" que consistia numa faixa de pano quadrada ou oblonga, de 2 a 3 metros de largura. Esta vestimenta (me'yil) era chamada de capa, manto, túnica e vestimenta. Era enrolada no corpo como uma coberta protetora, com dois cantos do material na frente. A vestimenta exterior unia-se ao corpo com um cinto. Às vezes os israelitas decoravam o cinto desta vestimenta exterior com ricos e belos ornamentos de metal, pedras preciosas, ou bordados. O pobre usava esta vestimenta exterior como roupa de cama (Êxodo 22:26-27), O rico muitas vezes tinha uma vestimenta exterior de linho finamente tecido, e o pobre uma vestimenta grosseiramente tecida de pêlo de cabra.
Os homens judeus usavam franjas com fitas azuis na "borda" (orla) desta vestimenta exterior (Números 15:38). As franjas lembravam-lhes a constante presença dos mandamentos do Senhor. Jesus referiu-se a essas franjas em Mateus 23:5; evidentemente, os escribas e fariseus alargavam muito estas franjas para que as pessoas pudessem ver quão fiéis eles eram em cumprir os mandamentos do Senhor.

Muitas vezes os hebreus rasgavam a veste exterior em tempos de pesar (Esdras 9:3, 5; Jó 1:20; 2:12).
O número de mantos de uma pessoa era medida da riqueza no Oriente Próximo (cf. Tiago 5:2). Conseqüentemente, um grande guarda-roupa indicava uma pessoa rica e poderosa, e a falta de vestuário mostrava pobreza. Nesta conexão, observe Isaías 3:6-7.

4. Bolsa. A bolsa do homem era realmente formada pelo cinto, com dupla costura e presa com uma fivela. A outra extremidade do cinto era enrolada no corpo e depois enfiada na primeira seção, que abria e fechava com uma correia de couro. O conteúdo da bolsa era colocado debaixo da correia. O cinto de Mateus 10:9 e o alforje de Marcos 6:8 referem-se a este tipo de bolsa. Parece que os judeus também usavam um tipo de bolsa separada do cinto (Lucas 10:4).
Os homens judeus usavam também uma sacola, que pode ter sido semelhante à nossa bolsa moderna. Os pastores levavam o alimento e outras utilidades neste tipo de saco. Parece que a sacola era usada sobre o ombro. Foi numa sacola dessas que Davi levou as cinco pedras para matar o gigante Golias (1 Samuel 17:40). É provável que o alforje mencionado no Novo Testamento, levado por pastores e viajantes, fosse feito de peles (Marcos 6:8).
5. Sandálias. O termo sandálias é usado apenas duas vezes na Bíblia. Em sua mais simples forma, a sandália era um solado de madeira preso com correias ou tiras de couro. Os discípulos de Jesus usavam este tipo de sandálias (Marcos 6:9). Quando um anjo apareceu a Pedro na prisão, ordenou-lhe que calçasse as sandálias (Atos 12:8). Todas as classes de pessoas na Palestina usavam sandálias ― mesmo os mais pobres. Na Assíria, as sandálias cobriam também o calcanhar e o lado do pé. A sandália e a correia eram tão comuns que simbolizavam a coisa mais insignificante, como em Gênesis 14:23.











Sandálias. A maioria das pessoas nas terras antigas andavam descalças ou usavam sandálias. Os pobres não podiam dar-se o luxo de usar sapatos, visto que estes eram feitos de couro macio, que era escasso. As sandálias eram de couro duro. Alguns pensam que os israelitas faziam as solas de madeira, de cana ou junco, ou de casca de palmeira, pregando-lhes correias de couro. Os arqueólogos têm encontrado grande variedade de sandálias. As desta foto são da Bretanha durante o tempo da ocupação romana; observe os cravos na segunda sandália a partir da esquerda.

Os judeus não usavam as sandálias dentro de casa (Lucas 7:38); retiravam-nas ao entrar na casa, e lavar os pés. A retirada das sandálias era também sinal de reverência; quando Deus falou com Moisés da sarça ardente, disse-lhe que tirasse as sandálias dos pés (Êxodo 3:5).
Os judeus consideravam carregar ou desatar as sandálias de outra pessoa como uma tarefa muito humilde. Quando João Batista falou da vinda de Cristo, disse: "O qual vem após mim, do qual não sou digno de desatar-lhe as correias das sandálias" (João 1:27).
Andar sem sandálias era indício de pobreza (Lucas 15:22) ou sinal de luto (2 Samuel 15:30; Isaías 20:2-4; Ezequiel 24:17, 23).

B. Vestes para ocasiões especiais. Os judeus ricos possuíam diversos conjuntos de vestuário; cada conjunto compunha-se de uma vestimenta interior e uma exterior. Alguns desses conjuntos de vestuário eram feitos de tecido muito fino e eram usados sobre vestimentas de várias cores (Isaías 3:22).

1. Mantos de honra. Amiúde, um homem ao ser empossado numa posição de honra ou de importância recebia um manto especial. José recebeu um manto assim quando foi colocado em posição de liderança no Egito (Gênesis 41:42). Por outro lado, a retirada de um manto indicava que o homem estava sendo demitido de seu ofício. Um manto de fina qualidade era sinal de honra especial na família (Lucas 15:22).

2. Vestes núpciais. Nas grandes ocasiões, o hospedeiro dava vestes especiais a seus convidados. Nos casamentos judeus, por exemplo, o hospedeiro fornecia vestes núciais a todos 08 convidados (Mateus 22:11). Às vezes, os nubentes usavam coroas (Ezequiel 16:12).

3. Vestimentas de luto.

4. Roupas de inverno. No inverno, os povos das terras bíblicas usavam peles ou couro para fazer vestidos. Este tipo de vestuário de inverno pode estar indicado em 2 Reis 2:8 e Zacarias 13:4. As peles de gado comum eram usadas pelas pessoas paupérrimas (Hebreus 11:37), mas alguns mantos de pele eram muito caros e faziam parte do guarda-roupa real.
Vestir-se de ovelha (pele de ovelha) sugeria inocência e brandura; porém Mateus 7:15 fala de tal veste como símbolo do disfarce de falsos profetas, que levavam o povo para o caminho errado.

C. Ornamentos. Os judeus varões usavam braceletes, anéis, correntes e colares de vários tipos. No Oriente Próximo, ambos os sexos usavam cadeias de ouro como ornamento e símbolo de dignidade. Os oficiais do governo colocaram tais cadeias em José e em Daniel como símbolo de soberania (Gênesis 41:42; Daniel 5:29). Os judeus homens tinham uma paixão por melhorar sua aparência pessoal, e amiúde usavam jóias para este fim. É provável que a arte de joalheria tenha-se desenvolvido num período bem primitivo (Números 31:50; Oséias 2:13).

1. Anéis. O judeu usava o anel como selo e símbolo de sua autoridade (Gênesis 41:42; Daniel 6:17). Com o sinete ele estampava seu selo pessoal nos documentos oficiais. Podia ser usado num cordão em torno do pescoço ou no dedo. Os homens também usavam anéis ou faixas nos braços (cf. 2 Samuel 1:10).
Nada menos que dez anéis foram encontrados numa das mãos de uma múmia egípcia, indicando que o mercado de jóias era muito ativo. Nas batalhas, os soldados tiravam braceletes e argolas usadas nos tornozelos dos inimigos e os levavam como despojos. Depois de matar a Saul, o amalequita trouxe a Davi o bracelete de Saul como prova de sua morte (2 Samuel 1:10).

2. Amuletos. Nas nações supersticiosas do Oriente Próximo muitas pessoas temiam espíritos imaginários. Para proteger-se, usavam encantamentos mágicos. Os amuletos mencionados na Bíblia eram brincos usados pelas mulheres (Gênesis 35:4; Juizes 2:13; 8:24), ou pingentes nas cadeias usadas pelos homens. O amuleto continha palavras sagradas ou a figura de um deus. Noutra forma de amuleto, as palavras eram escritas num papiro ou pergaminho fortemente apertado e costurado nele com linho.

3. Filactérios. Para contrapor-se à prática idólatra de usar amuletos, os varões hebreus começaram a usar filactérios. Havia dois tipos de filactérios: um usado entre as sobrancelhas, e outro no braço esquerdo. O que se usava na testa chamava-se frontal. Tinha quatro compartimentos, cada um dos quais continha um pedaço de pergaminho. No primeiro estava escrito Êxodo 13:1-10; no segundo, Êxodo 13:11-16; no terceiro, Deuteronômio 6:4-9, e no quarto, Deuteronômio, 11:13-21. Esses quatro pedaços de papel eram embrulhados em pele de animal, fazendo um pacote quadrado. Este pacotinho era então atado à testa com uma correia ou fita. Essas passagens bíblicas continham ordens de Deus para que se lembrassem de sua Lei e obedecessem a ela (p. ex., Deuteronômio 6:8).
O filactério que o homem usava no braço era feito de dois rolos de pergaminho, nos quais as leis eram escritas com tinta especial. O pergaminho era parcialmente enrolado, encerrado num estojo preto de pele de bezerro, e atado com uma correia na parte superior do braço, junto ao cotovelo. A correia era então enrolada em torno do braço em linhas cruzadas, terminando na ponta do dedo médio. Alguns judeus usavam os filactérios de manhã e de noite; outros os usavam somente na oração matutina. Nos sábados e em outros dias sagrados não se usavam os filactérios; esses dias eram em si mesmos sinais sagrados, de sorte que era desnecessário usá-los.
Jesus condenou a prática de alargarem "seus filactérios" (Mateus 23:5). Os fariseus faziam seus filactérios maiores do que o comum, para que os observadores casuais pensassem que eram muito santos.

D. Penteado. Os varões hebreus consideravam o cabelo um ornamento pessoal importante, por isso lhe dispensavam muito cuidado e atenção. Os monumentos egípcios e assírios mostram exemplos de arranjos esmerados do cabelo nessas culturas. Os egípcios também usavam vários tipos de perucas. Porém vemos uma importante diferença entre os penteados dos hebreus e dos egípcios em Gênesis 41:14, onde se diz que José "se barbeou" antes de apresentar-se a Faraó. Um egípcio ter-se-ia contentado em pentear o cabelo e aparar a barba; mas os homens hebreus cortavam o cabelo quase como o cortam hoje os homens do Ocidente, usando um tipo primitivo de tesoura (2 Samuel 14:26). A palavra cortava, neste texto, significa "cortar o cabelo da cabeça" (tosar). Os judeus também usavam navalhas, como vemos em Números 6:5.

Quando um judeu fazia um voto religioso, ele não cortava o cabelo (cf. Juizes 13:5). Os israelitas não deviam cortar o cabelo tão rente que se assemelhassem a deuses pagãos que tinham a cabeça raspada. Nem deviam parecer-se com os nazireus, que se recusavam a cortar o cabelo (Ezequiel 44:20). Nos tempos do Novo Testamento, o cabelo comprido nos homens era considerado contrário à natureza (1 Coríntios 11:14).
Amiúde os homens aplicavam óleo perfumado ao cabelo antes de festivais ou de outras ocasiões jubilosas (Salmo 23:5). Jesus menciona este costume em Lucas 7:46, quando diz: "Não me ungiste a cabeça com óleo..."
O homem judeu também dispensava muita atenção ao cuidado da barba. Era insulto tentar tocar a barba de um homem, exceto ao beijá-la respeitosa e afetuosamente como sinal de amizade (2 Samuel 20:9). Arrancar a barba, cortá-la inteiramente, ou descurar de apará-la eram expressões de profundo lamento (cf. Esdras 9:3; Isaías 15:2; Jeremias 41:5). Os homens egípcios e romanos preferiam rostos barbeados, embora os governantes egípcios usassem barbas artificiais.
E. Ornato para a cabeça. Evidentemente, os varões judeus usavam ornato para a cabeça em ocasiões especiais (Isaías 61:3), nos dias de festa, ou em tempos de lamentação (2 Samuel 15:30). Pela primeira vez vemos mencionado o ornato para a cabeça em Êxodo 28:40, como parte das vestes sacerdotais.
Os varões hebreus provavelmente usavam uma cobertura para cabeça somente em raras ocasiões, embora os egípcios e os assírios as usassem com freqüência. Alguns antigos ornatos para a cabeça eram muito trabalhados, especialmente os usados pela realeza. O egípcio comum usava um ornato simples que consistia num pano quadrado, dobrado de modo que três cantos caíssem sobre as costas e ombros. Este pode ter sido o tipo usado pelos hebreus.
Os assírios usavam um ornato muito semelhante a um turbante alto (Ezequiel 23:15). Os sírios em Damasco muito provavelmente usava o turbante.



Túnica. A túnica, vestimenta interior semelhante ao quimono, chegando até aos joelhos ou aos tornozelos, era usada junto à pele. Tanto homens como mulheres usavam túnicas feitas de algodão, de linho ou de lã. Presa ao corpo por um cinto (geralmente uma cinta de couro), a túnica podia ser a única vestimenta usada pelos pobres em clima quente. Contudo, os ricos nunca apareciam em público sem as vestimentas exteriores.


VESTUÁRIO FEMININO
As mulheres usavam roupas muito semelhantes às dos homens. Contudo, a lei proibia estritamente a uma mulher usar qualquer coisa que se julgasse pertencer particularmente a um homem, tal como o sinete e outros ornamentos. De acordo com Josefo, historiador judeu, também se proibia às mulheres usar as armas de um homem. Por semelhante modo, era proibido aos homens usar o manto exterior de uma mulher (Deuteronômio 22:5).
A. Vestimenta interior. Esta vestimenta era usada por ambos os sexos, e era feita de lã, de algodão ou de linho.
B. Vestimenta exterior. A vestimenta exterior da mulher hebréia diferia da do homem. Era mais comprida, com borda e franja suficientes para cobrir os pés (Isaías 47:22). Prendia-se à cintura por um cinto. Como no caso dos homens, a vestimenta da mulher podia ser feita de materiais diferentes, de acordo com a condição social da pessoa.
A frente da vestimenta exterior da mulher era comprida bastante para que pudesse colocá-la sobre o cinto e servir de avental. A palavra avental (ERC) aparece pela primeira vez em Gênesis 3:7, quando Adão e Eva coseram para si aventais de folhas de figueira. Esta peça de vestuário pode, em certa medida, parecer-se com nosso moderno avental. O avental podia ter sido usado para proteger as vestes durante o trabalho, ou para transportar alguma coisa (cf. Rute 3:15).
C. Véu. As hebréias não usavam véu todo o tempo, como agora é costume em muitas das terras do Oriente Próximo. Usar véu era um ato de modéstia, geralmente a indicar que a mulher não era casada. Quando Rebeca viu a Isaque pela primeira vez, não estava usando véu; porém ela se cobriu com um véu antes que Isaque a visse (Gênesis 24:65). As mulheres dos tempos do Novo Testamento cobriam a cabeça durante o culto, mas não necessariamente o rosto (1 Coríntios 11:5).

D. Lenço. A palavra hebraica para lenço (mispachoth) podia ser mais bem traduzida como guardanapo ou toalha. Esses panos eram usados para envolver coisas que eram levadas (Lucas 19:20), para enxugar o suor do rosto, ou para cobrir a face do morto.
Alguns comentaristas acham que o lenço era preso sob o queixo e no topo da cabeça para impedir que a maxila do defunto decaísse (João 11:44). João 20:7 diz que o lenço que cobria o rosto do Senhor foi encontrado enrolado num lugar à parte dos lençóis.
Amiúde as mulheres das modernas nações do Oriente Próximo levam lenços com belos trabalhos de agulha. Este pode também ter lido o costume nos tempos antigos.
E. Sandálias. As mulheres judias usavam sandálias, como o faziam os homens. Havia muitas variações da sandália comum. A sola podia ser feita do couro duro do pescoço do camelo. Às vezes diversas camadas de couro eram costuradas juntas.
Um tipo de sandália de mulher tinha duas correias: uma passava entre o dedão e o segundo dedo, e a outra passava em tomo do calcanhar e sobre o peito do pé. Este calçado podia ser facilmente tirado quando se entrava em casa.

F. Ornamentos. A Bíblia menciona jóias pela primeira vez quando o servo de Abraão presenteou a Rebeca com brincos e pulseiras (Gênesis 24:22). Jeremias descreveu bem a atração que a mulher judia tinha pelas jóias, quando disse: "Acaso se esquece a virgem dos seus adornos?" As mulheres hebréias usavam pulseiras, colares, brincos, anéis de nariz, e cadeias de ouro. Isaías 3:16, 18, 23 dá um quadro gráfico da mulher ornamentada de acordo com a moda dos tempos do Antigo Testamento.

1. Braceletes. Tanto as mulheres como os homens hebreus usavam braceletes ou pulseiras (Gênesis 24:30). Hoje, os povos do Oriente Próximo consideram o bracelete de uma mulher como emblema de elevado status ou realeza, como provavelmente era no tempo de Davi (2 Samuel 1:10). O bracelete real por certo era feito de metal precioso, como ouro, e era usado acima do cotovelo. O bracelete da mulher comum podia ter sido usado no pulso, como o é hoje (Ezequiel 16:11). Em sua maioria, os braceletes das mulheres eram redondos para deslizar sobre a mão. Alguns braceletes eram feitos de duas partes que se abriam numa dobradiça e se fechavam com um laço ou alfinete. Os braceletes variavam de tamanho, desde alguns centímetros de largura até faixas estreitas.

2. Argolas de tornozelo. Era tão comum as mulheres usarem argolas no tornozelo como usarem braceletes. Essas argolas eram feitas quase dos mesmos materiais (Isaías 3:16, 18, 20). Algumas argolas tilintavam um som musical quando as mulheres andavam. As mulheres da classe alta usavam argolas ocas cheias de pedrinhas, de modo que se podia ouvir o som de matraca quando andavam.

3. Brincos. Não temos certeza quanto à forma dos brincos hebreus, mas textos das Escrituras sugerem que eram redondos (p. ex., Gênesis 24:22). Os brincos egípcios eram geralmente grandes aros de ouro, de 3 a 5 cm de diâmetro. Vez por outra os aros eram presos juntos ou se adicionavam pedras preciosas para causar sensação.
As nações pagas às vezes usavam brincos como amuletos. (Veja-se a seção sobre "Amuletos".) Vemo-lo quando a família de Jacó se foi de Siquém para Betel (Gênesis 35:4), e abandonaram seus brincos.

4. Jóias de nariz. O anel ou jóia de nariz da mulher era um dos mais antigos ornamentos do Oriente. O anel era feito de marfim ou de metais preciosos, amiúde incrustados de jóias. Às vezes, essas jóias de nariz tinham diâmetro superior a 6 cm e pendiam sobre os lábios da mulher. O costume de usar anéis de nariz ainda existe em algumas partes do Oriente Próximo, principalmente entre dançarinas e as mulheres de classes inferiores. Contudo, não temos evidência de que as mulheres hebréias usassem anéis de nariz.

5. Alfinetes de ondular. A palavra hebraica (charitim), que a Edição Revista e Corrigida (Almeida) em Isaías 3:22 traduz como "alfinetes", e em 2 Reis 5:23 é traduzida como "sacos", é empregada somente essas duas vezes na Bíblia. Não se sabe que tipo de jóia podia ter sido, nem mesmo que fosse um tipo de jóia.

6. Cosméticos e perfumes. As mulheres egípcias e assírias usavam tinta como cosmético. Coloriam as pestanas e as beiradas das pálpebras com um pó fino preto umedecido com azeite ou vinagre, para obter um efeito um tanto semelhante à sombra moderna.
As mulheres hebréias também pintavam as pestanas. Mas esta prática era geralmente vista com desdém, como no caso de Jezabel (2 Reis 9:30). A pintura dos olhos é desdenhosamente mencionada em Jeremias 4:30 e Ezequiel 23:40.
Algumas mulheres tingiam os dedos da mão e do pé com hena. Isto era especialmente verdadeiro em se tratando das egípcias, que também tatuavam as mãos, os pés e o rosto.
As mulheres antigas usavam perfume quase da mesma maneira que as mulheres usam hoje. As fontes comuns de perfume nos tempos bíblicos eram o incenso e a mirra da Arábia e da África, o aloés e o nardo da índia, o cinamono de Ailom, o gálbano da Pérsia, estoraque e açafrão da Palestina. O perfume era um valioso artigo de comércio (cf. Gênesis 37:25).
Êxodo 30:34-38 diz que os hebreus fabricavam um perfume usado nos rituais do tabernáculo. Mas a Lei proibia o uso pessoal deste perfume.

7. Penteado. O apóstolo Paulo disse que o cabelo era um véu natural, ou mantilha, para a mulher; ele dá a entender que no seu tempo era vergonhoso uma cristã cortar o cabelo (1 Coríntios 11:15). As mulheres usavam o cabelo longo e trançado. O Talmude menciona que as judias usavam pentes e grampos.
Entre as egípcias e assírias, os penteados eram muito mais trabalhados do que os usados pelas hebréias, conforme mostram os monumentos da época.

8. Ornato para a cabeça. As judias usavam algum tipo de ornato para cabeça, mas o apóstolo Paulo insistiu em que as cristãs se vestissem com modéstia (1 Timóteo 2:9). As mulheres podem ter usado ouro ou jóias como ornamentos do cabelo (1 Pedro 3:3); segundo era o costume das mulheres dos países vizinhos.
O véu que as judias às vezes usavam mal podia ser considerado um ornato para a cabeça, embora realmente a cobrisse. Em contraste, esse ornato para outras mulheres do Oriente Próximo era esmerado e caro, dependendo da riqueza e da posição social de quem o usava.