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Chamados à Santidade

(1Pe 1.13-2.10)


a) Os remidos são chamados à obediência (1Pe 1.13-21)
Pedro passa agora às implicações práticas do que lhes acabou de dizer. Em vista das considerações atrás feitas, (por conseguinte) apela para eles no sentido de viverem santamente. Esta é a responsabilidade que pesa sobre eles agora, como cristãos. O supremo desígnio da redenção é santificar os homens.

Cingindo o vosso entendimento (13). É alusão á necessidade de prender as vestes soltas, que se usavam no Oriente, as quais tolhiam a liberdade dos movimentos. É um convite à atitude dos peregrinos. Note-se que o apóstolo refere os lombos da mente ou entendimento. Ele quer convidá-los a pensar vigorosamente, de modo a poderem compreender o que lhes está dizendo e serem capazes de exercer uma fé inteligente (cfr. 1Co 14.20 e Ef 1.18). O temperamento do peregrino é sóbrio, moderado (cfr. também 1Pe 4.7-5.8). Embora intemperança no beber fosse para eles uma tentação premente, a exortação à sobriedade (13) significa mais do que absterem-se da embriaguez. Quer dizer seriedade e vivacidade de pensamento e conduta. Devem exercitar um conveniente domínio próprio e viver uma vida equilibrada e firme. Diante das dificuldades do caminho, o peregrino vai encontrar forças na esperança(13). Já lhes fez saber em que consiste essa esperança (3). Agora anima-os a olhar para a frente e antecipar a graça que lhes será trazida na revelação de Jesus Cristo (veja-se o vers. 10).

1Pe-1.14

Como filhos da obediência (14). O convite para a santidade é necessariamente um convite para a obediência. Pedro emprega muito nesta epístola a palavra obediência (cfr. 1Pe 1.2-22; 1Pe 3.1,6; 1Pe 4.17). O primeiro dever do homem sempre foi obedecer a Deus, guardando-Lhe os mandamentos e fazendo-Lhe a vontade (Lv 18.4-5). Cristo, em Seus ensinos, deu ênfase a isto constantemente. A obediência manifesta-se em a pessoa não se amoldar às paixões que tinha anteriormente na ("no tempo de") sua ignorância (14). A paixão (concupiscência) é inclinação natural que se torna bravia, vencendo toda resistência e impondo sua vontade imperiosa. As velhas concupiscências pagãs, de outrora ("o tempo de vossa ignorância", sugerindo que os destinatários da carta eram na maior parte gentios), continuavam a atraí-los insidiosamente. Obedecendo a Cristo, livrar-se-iam dos ardis de tais paixões, se estivessem preparados a deixá-las para trás, evitando amoldar-se a elas.

1Pe-1.15

Segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós (15). Esta exortação vem reforçada por uma citação de Levítico (Lv 11.44), livro este cuja palavra-chave é "santidade" (cfr. Lv 19.2; Lv 20.7,26). No Velho Testamento o sentido fundamental da palavra "santo" é separado, retirado do uso ordinário e posto à parte para uso sagrado. O pensamento latente na exortação parece ser que o Deus Santo os escolhera para serem povo Seu, portanto, devem igualmente ser santos, se querem gozar de Sua comunhão (cfr. a frase neo-testamentária "chamados para ser santos"). Procedimento (15); "vida". Tal santidade expressar-se-á na conduta externa. Se invocais como Pai aquele que... julga (17). O argumento é o seguinte: visto como afirmam que Deus é seu Pai, e O invocam assim em oração, devem respeitar Sua autoridade. Ele é Pai; é também Juiz, e Seu julgamento é imparcial, sem acepção de pessoas (17). Daí exorta o apóstolo a que se portem com temor durante o tempo da peregrinação deles-não mero temor do castigo do Juiz, mas temor de ofender ao Pai.

1Pe-1.18

Todavia, o motivo mais sério e mais forte do temor é o fato da redenção. Resgatados (18); gr. elytrothete, significando libertos contra pagamento do preço do resgate. O substantivo lytron significa o preço pago; aqui não é dinheiro, mas o sangue de Cristo (19), que "veio dar Sua vida em resgate de muitos" (Mt 20.28; Mc 10.45; veja-se também 1Tm 2.6). O apóstolo provavelmente tinha em mente o livramento de Israel do cativeiro, quando referiu a libertação dos cristãos de sob a escravidão do pecado. Se assim foi, devia ele ter em mente o Cordeiro Pascoal, ao empregar a frase como de cordeiro sem defeito e sem mácula (19; ver Êx 12.5). A referência a prata e ouro pode ser alusão à alforria de escravos. Qualquer escravo podia economizar dinheiro por ele ganho com vistas à compra de sua liberdade. Alguns daqueles a quem esta carta foi dirigida provavelmente esperavam fazer assim. Mas, enquanto prata e ouro podiam comprar essa liberdade, eram impotentes para efetuar a libertação do domínio do pecado. Nada menos que o sangue de Cristo, o Cordeiro de Deus, era suficiente para realizar isto. Fútil procedimento (18); isto é, tradicional maneira de vida, sem conteúdo, vazia; vida sem propósito ou direção.

1Pe-1.20

Conhecido antes da fundação do mundo (20). A redenção foi uma parte do eterno propósito de Deus. Na plenitude do tempo Cristo Se manifestou para tirar o pecado pelo sacrifício de Si mesmo. Note-se como vem traduzido na ARA-"manifestado no fim dos tempos, por amor de vós". "Com estas palavras por amor de vós" o escritor focaliza para os leitores todo o conselho divino da redenção" (Selwyn). O evangelho é essencialmente pessoal. Que, por meio dele, tendes fé em Deus (21). Mediante Cristo nós cremos e por Ele também nos conservamos leais a Deus.

1Pe-1.21

Como um sinal de estar satisfeito com a obra acabada de Cristo e de ser ela adequada à nossa redenção, Deus o ressuscitou dentre os mortos e lhe deu glória (21). Hort vê estas palavras em correspondência com Is 52.13. Deus é o autor divino da ressurreição (cfr. At 3.15; At 4.10; At 5.30; At 10.40). De sorte que a vossa fé e esperança estejam em Deus (21); isto é, este é o propósito que Deus teve em manifestar o Cristo (20). Note-se como a fé e a esperança estão intimamente entrelaçadas nesta epístola.