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D. A. J. Ayer: A ELIMINAÇÃO DA ÉTICA
(Por Norman Geisler)


Uma breve palavra deve ser dita acerca da forma de ética antinomista conhecida como emotivismo. Brota de uma escola de filosofia, agora defunta, chamada o Positivismo Lógico. Esta escola de pensamento emanou de Viena no começo da década de 1930, e era representada por homens tais como Rudolf Carnap, Moritz Schlick, A J. Ayer, e outros. O último a ser mencionado foi, talvez, o porta-voz mais enérgico em inglês.
1. O "Acognosticismo" Epistemológico — Com base em um princípio rigoroso de verificação empírica, Ayer não deixou nenhuma declinação ter significado a não ser que pudesse ser puramente analítica ou tautológica (tal como 7 + 3 =10), OU a não ser que pudesse ser verificada dalguma maneira através da experiência de um ou mais dos cinco sentidos. Desta maneira, pensava que não somente restringiria as declarações metafísicas como também as eliminaria totalmente. Porque "certamente, a partir das premissas empíricas, absolutamente nada concernente à propriedades, ou até mesmo à existência de qualquer coisa super-empírica, pode legitimamente ser inferida.

Baseando-se numa distinção semelhante feita anteriormente por David Hume entre declarações acerca do relacionamento entre idéias (i.e., definicionais) e declarações acerca de questões de fato (i.e., empíricas), Ayer condenou todas as demais declarações como sendo literalmente contra-senso. Entre estas, há todas as supostas declarações metafísicas acerca da substância, da realidade, da existência, de Deus, etc. Não se quer dizer com isto que não há coisas tais como a existência, Deus, etc. Quer dizer apenas que se há tais realidades, nenhuma declaração relevante pode ser feita acerca delas. Toda a conversa acerca de Deus é contra-senso.

Em síntese, o ponto de vista de Ayer não é um agnosticismo que sustenta que pelo menos há relevância em perguntar acerca da existência de Deus. Pelo contrário, a posição de Ayer deve ser chamada um "acognosticismo" porque nega que haja qualquer significado cognitivo na própria palavra "Deus" na pergunta acerca da Sua existência. Simplesmente não há significado cognitivo (i.e., verificável) para a palavra "Deus" na pergunta. Ayer não negava categoricamente que havia um Deus ou que o místico poderia ter intuições dEle. Disse: "Aguardamos apenas ficar sabendo quais são as proposições que incorporam as descobertas acerca dele, a fim de vermos se são verificadas ou refutadas por nossas observações empíricas."Noutras palavras, talvez seja possível ter experiências de Deus, mas não é possível expressar esta experiência em declarações cognitivamente significativas; um "acognosticismo" epistemológico.

2. O Emotivismo Ético — A consequência ética do "acognosticismo" é o emotivismo. Ou seja: nenhuma declaração ética tem significado cognitivo, visto que não é nem uma declaração de pura definição, nem uma mera declaração acerca dalgum fato empírico. As declarações éticas são simplesmente emotivas. Sua relevância não é que declaram fatos ou mandamentos, mas, sim, que expressam o sentimento de quem fala. Por exemplo, a alegada declaração de mandamento ou "deve": "Você não deve furtar," realmente significa "Eu não gosto de furtar." Declarações tais como essa não são imperativas, mas, sim, meramente expressam os sentimentos de quem fala, e seu desejo de ver os outros sentirem da mesma maneira. "Você não deve mentir" significa "Eu não gosto da mentira," e "Quero que você, também, não goste da mentira." Declarações éticas não são declarativas de qualquer estado de coisas reais; são exclamativas dos sentimentos da pessoa e das suas tentativas no sentido de influenciar os sentimentos dos outros. Tendo isto em vista, "podemos ver agora por que é impossível achar um critério para determinar a validez dos julgamentos éticos," escreveu Ayer. "Não é porque têm uma validez 'absoluta' que é misteriosamente independente de uma experiência comum dos sentidos, mas, sim, porque não têm qualquer validez objetiva."

Ayer reconheceu que sua teoria é "radicalmente subjetivista," mas distinguia-a do subjetivismo tradicional pelo motivo de que sua teoria não envolve declarações acerca de como um indivíduo se sente (estas seriam verdadeiras ou falsas, de acordo com o fato de que se o indivíduo realmente sentia assim, ou não), mas meramente declarações de seus sentimentos.Por exemplo, a pessoa pode «expressar enfado (por gestos, e.g.) sem fazer uma asseveração acerca do seu sentimento de enfado, tal como: "Estou enfastiado." A asseveração é verificável, mas a expressão não o é. As declarações éticas são expressões de sentimento, que não podem ser verificadas, e não asseverações verificáveis acerca dos sentimentos. "São puras expressões de sentimento e, como tais, não se enquadram na categoria da verdade e da falsidade.

Se as declarações da ética não são puramente definicionais ou empíricas, então, que tipo de declaração são? São do mesmo tipo que as declarações estéticas; são declarações de sentimento. Tanto as declarações éticas quanto as estéticas expressam apenas o gosto subjetivo da pessoa, e não a verdade objetiva acerca dalguma coisa. Ambas são declarações de valor, e não asseverações acerca de fatos. "Sustentamos, pois," diz Ayer, "que realmente nunca se disputa acerca de questões de valor." Argumentamos somente acerca de questões de fato. O valor é sempre pressuposto, mas não pode ser nem comprovado nem disputado. "Dado que o homem tem certos princípios morais, argumentamos que deve, a fim de ser consistente, reagir moralmente a certas coisas de certa maneira." Mas "aquilo acerca de que não argumentamos, nem podemos argumentar, é a validez destes princípios morais.

Em síntese, não há nenhum "dever" ético. Nenhuma declaração é normativa ou prescritiva para outras pessoas. Todas as alegadas normas éticas são puramente subjetivas e individualistas, e expressam nosso sentimento. São emotivas mas não normativas.