English French German Spain Italian

(Apologética)


A IMPOSSIBILIDADE DA NEUTRALIDADE NA ARGUMENTAÇÃO APOLOGÉTICA

(1 Pedro 3:15)

Nosso texto básico para exposição do referido assunto é um texto que muitos teólogos, diga-se de passagem, acertadamente o tem como o texto principal e referencial para se falar de apologética. Dispensada as considerações terminológicas da palavra que nesse caso aqui faz pouca diferença ou quase nenhuma, uma vez que é o texto e o contexto o nosso tecido paradigmático.Vamos logo a uma consideração que não pode demorar, qual seja,o apologeta cristão tem que ser um crente de verdade para ser bem-sucedido na sua atitude apologética.Vejamos a primeira sentença de versículo:“Santificai a Cristo como Senhor em vossos corações”.O apologeta tem que ter sua vida entregue ao senhorio de Cristo(veja também Rm 10.9; 1 Co 12.3 e Fp 2.11).Essa declaração é importante pois norteará a direção dos nossos argumentos nesse pequeno opúsculo.

A escola apologética como qualquer outro ramo do saber é de múltipla versão. Há uma versão da apologética, da assim chamada, escola tradicional. Que afirma que em uma discussão apologética com um não-crente, não devemos basear nossos argumentos em critérios ou normas derivadas da bíblia. Argumentar com um incrédulo pressupondo a verdade bíblica acarretaria um sério prejuízo a atitude apologética. Melhor seria eles dizem, que só apresentássemos argumentos neutros sem tendência religiosa. Nesse caso o melhor seria apresentarmos aos não-crentes critérios e normas que eles possam aceitar. Então a lógica, os fatos, a razão, a experiência, etc. Se convertem em fonte da verdade. O que obviamente se conclui que esse modo de fazer apologética exclui a revelação divina, isto é, as Escrituras.

O grande problema desse método apologético a meu ver é excluir toda e qualquer pressuposição bíblica específica sob alegação que isso inviabilizaria o fazer apologética. Do ponto de vista do texto que usamos aqui essa alegação não tem nenhuma razão de ser. Para Pedro o apologeta não deve fazer exceção ao seu compromisso com cristo quando apresentar seus argumentos a quem quer que seja. Pelo contrário: A apologética é uma situação em que devemos “Santificar a Cristo em nossos corações”, ou seja, devemos falar e viver de modo que enalteça seu senhorio, e também animar os outros a fazê-lo também. Em um contexto mais amplo, Pedro esta dizendo a seus leitores a que façam o que seja correto e bom, apesar da oposição do não-crente. Não era de sua opinião que na tarefa da apologética apresentássemos argumentos que não seja toda a verdade, simplesmente por temer que o mesmo fosse rechaçado. O apologeta deve ter o senhorio de Cristo como pressuposição final. Pois como fazê-lo senhor de nossas vidas se não fazemos o que Ele nos manda?Uma pressuposição final é uma entrega de coração, é uma confiança total. Tenhamos fé em cristo como assunto de vida e de morte. Confiemos em sua sabedoria mais do que em toda outra sabedoria. Creiamos mais em suas promessas do que em qualquer outra. Lembremos a recomendação do Antigo Testamento que não quer calar: “Ouve Israel: Jeová nosso Deus é o único: E amarás a Ele de todo o seu coração, e de toda a tua alma, e com todas as suas forças” (Dt. 6.4-5).

Devemos obedecer a sua lei ainda quando entrar em conflito com leis de menor hierarquia (Atos 5.29). Posto que cremos Nele com a maior certeza que em outra coisa, Ele e Sua palavra vem a ser o critério final da verdade.Que norma mais alta, ou de maior autoridade poderia haver?Que norma é a que mais claramente nos tem sido revelada (veja Rm 1.19-21) Qual é a autoridade que em última instância avaliza a todas as demais?

O senhorio de Cristo é final e indiscutível, não só em relação às demais autoridades, mas também em toda área da vida humana.
O nosso Senhor exige que tudo o que fazemos seja com o propósito de agradá-lo E nenhuma área de nossa vida pode ser considerada neutra. Este princípio inclui as áreas do pensamento humano e do conhecimento (veja Pv. 1.7; Sl 111.10 e Pv. 9.10).
O que precisamos saber no que tange o não-crente é que eles não desconhecem a verdade. Pelo contrário, Deus tem se revelado a cada pessoa com toda claridade, tanto na criação (Sl 19 e Rm 1.18-21), como na própria natureza humana (Gn 2.26). Existe um sentido em que os não-crentes não conhecem a Deus (“Pois havendo conhecido a Deus não o glorificaram como Deus, nem deram graças, antes se desviaram em seus corações, e seu néscio coração foi entenebrecido”, Rm 1.21). Em algum nível seja de consciência ou de sua inconsciência essa luz testemunhal está ali.Porém o incrédulo intencionalmente distorce a verdade e a transforma em mentira.

Embora o argumento da neutralidade pareça ser a única alternativa em alguns casos. Não devemos nos esquecer que outro pressuposto que não seja o bíblico em uma demanda apologética com certeza poderá trazer prejuízos, uma vez que é o Espírito Santo o responsável em convencer o não-crente,e Ele age na Palavra e através da Palavra. Sem o testemunho bíblico talvez a arte de fazer apologética pareça ser mais "amigável", entretanto se mostrará pouco eficaz, uma vez que é o texto bíblico iluminado pelo Espírito Santo que produz uma nova consciência e uma nova vida ao não-crente.