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Um só batismo
(Dr. Augustus Nicodemus)


Neste texto veremos a opinião de John Stott sobre o batismo com o Espírito Santo. Conhecido pregador e escritor, Stott é ministro da igreja Anglicana da Inglaterra. Em 1964, ele proferiu uma série de estudos em uma conferência para líderes evangélicos sobre a obra do Espírito santo, os dons espirituais e, especialmente, sobre o batismo com o Espírito Santo. Essas palestras foram uma reação de Stott ao crescente pentecostalismo dentro da sua própria paróquia. As palestras chegaram ao grande público em 1966, num livro intitulado The Baptism and Fullness of the Holy Spirit, após a publicação dos sermões de Lloyd-Jones sobre o assunto. Dez anos depois Stott publicou uma segunda edição. Em que ampliou algumas partes que precisavam de mais clarezas e fundamentação, sem, entretanto, alterar seu ponto de vista. Nela Stott trata dos principais aspectos da obra do Espírito relacionados com a polêmica moderna, tais como a promessa do Espírito, a plenitude, o fruto e os dons do Espírito. Procuraremos nos concentrar na sua interpretação de 1 Coríntios 12.13.

Uma experiência iniciatória

Stott argumenta que a expressão “batismo com o Espírito santo”, que ocorre sete vezes no Novo Testamento, é equivalente à expressão “O dom do Espírito santo” que também é encontrado em Atos 2.38 e refere-se à experiência iniciatória do qual participa todos os que se tornam cristãos. O próprio conceito de “batismo com água” é iniciatório, sendo o ritual público de introdução na igreja, e está intimamente associado ao batismo no Espírito Santo, como sugere Atos 10.47;11.16 e 19,2,3. Ele argumenta que a linguagem empregada por Paulo para descrever a experiência cristã com o Espírito, como “estar no Espírito”, “ter o Espírito”, “viver pelo Espírito” e “ser guiado pelo Espírito”, é aplicado nas cartas do apóstolo a todos os cristãos indistintamente, até mesmo aos recém-convertidos, a partir do momento em que se tornam cristãos. O Novo testamento, Stott continua, presume que Deus tem concedido o Espírito Santo a todos os cristãos(Rm 8.9,14;Gl 5.25).

Das sete vezes em que a expressão “ser batizado com o Espírito Santo” ocorre no Novo Testamento, somente uma está fora dos Evangelhos e Atos. Stott lembra que nos Evangelhos, a expressão aparece quatro vezes nos lábios de João Batista, ao descrever o ministério do Senhor Jesus: “Ele os batizará com o Espírito Santo” (MT 13.11; Mc 1.8; Lc 3.16; Jô 1.33). Em Atos é aplicada uma vez pelo Senhor ao Pentecoste(At 1.5), e outra vez por Pedro à conversão de Cornélio, citando as palavras do Senhor Jesus(At 11.16).

A sétima ocorrência está em 1 Coríntios 12.13. Stott contesta que, aqui, Paulo esteja se referindo ao dia de Pentecoste, já que nem ele nem os coríntios participaram daquele evento histórico. Paulo se refere aqui à participação nas bênçãos que o Pentecoste tornou possível aos cristãos. Ele e os coríntios tinham recebido o Espírito Santo; aliás, para usar a terminologia de Paulo, tinham sido “batizados” com o Espírito Santo e tinham “bebido” desse mesmo Espírito.
Stott aponta para o fato de que Paulo aqui está enfatizando a unidade no Espírito no contexto da passagem, em contraste deliberado com a variedade dos dons espirituais, assunto que o apóstolo havia discutido na primeira parte de 1Coríntios 12. Esse ponto é evidente para repetição da palavra “todos” (todos... foram batizados, todos... beberam) e da expressão “um só” ou um “único” (um só corpo... um único Espírito). O que Paulo está fazendo aqui, afirma Stott é ressaltar aquela experiência com o Espírito Santo que todos os cristãos têm em comum.