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VAMPIROS EMOCIONAIS

POR ALBERT J. BERNSTEIN, PhD

Os vampiros estão de tocaia, mesmo agora, enquanto você lê este texto. Nas ruas em plena luz do sol, sob o tremular azulado das lâmpadas fluorescentes do escritório e talvez até sob as luzes acolhedoras do lar. Estão por toda parte, disfarçados em gente comum, até que suas necessidades internas os transformem em feras predadoras.
Não é o nosso sangue que eles sugam; é a nossa energia emocional.


Não se engane, não se trata dos aborrecimentos cotidianos que fervilham à sua volta como insetos ao redor da luz da varanda, facilmente enxotados com declarações afirmativas e firmes. São as autênticas criaturas das trevas. Além de ter o poder de importunar, também nos hipnotizam para nos anestesiar a consciência com falsas promessas até sucumbirmos a seu encanto. Os Vampiros Emocionais nos atraem e depois nos sugam.

A princípio, os Vampiros Emocionais parecem melhores que as pessoas comuns. São tão inteligentes, talentosos e encantadores como um conde romeno. Gostamos deles, confiamos neles, esperamos mais deles do que das outras pessoas. Esperamos mais, recebemos menos e, no fim das contas, saímos derrotados. Nós os convidamos a entrar na nossa vida e quase sempre só percebemos o erro quando eles desaparecem na noite, deixando-nos exauridos, com dor na nuca, carteira vazia ou talvez coração partido. Mesmo assim nos perguntamos: serão eles ou serei eu?
São eles. Os Vampiros Emocionais.

Você os conhece? Já experimentou seu poder sombrio em sua vida?
Já conheceu pessoas que pareciam maravilhosas à primeira vista, mas depois se revelaram o oposto? Já se deixou cegar por explosões brilhantes de charme que se acendiam e se apagavam como cartazes baratos de néon? Já ouviu promessas sussurradas na calada da noite que foram esquecidas antes do amanhecer?
Alguém já o sugou completamente?

Os Vampiros Emocionais não se levantam de túmulos à noite. Moram ali na esquina. São os vizinhos tão acolhedores e cordiais na sua presença, mas que espalham boatos pelas suas costas. Os Vampiros Emocionais estão no time de vôlei; são os astros do time até que algo se volte contra eles. Quando isso acontece, têm acessos de raiva que deixariam envergonhada uma criança de três anos. Os Vampiros Emocionais trabalham nos escritórios; ocupam cargos altos e bem-remunerados, envolvem-se tanto em política e em intrigas mesquinhas que não têm tempo para trabalhar. Os Vampiros Emocionais podem até dirigir uma empresa; são os chefes que fazem palestras sobre outorga de poderes e incentivos positivos, depois ameaçam demitir funcionários pelos mínimos erros.

Os Vampiros Emocionais podem estar à espreita em sua própria família. Pense no seu cunhado, o gênio que não pára em emprego algum. E aquela tia quase invisível que cuida de todo mundo, até que doenças esquisitas e debilitantes o obrigam a cuidar dela? Será que precisamos falar daqueles parentes tão carinhosos e irritantes que estão sempre pedindo que você faça o que lhe agrada, na esperança de que você agrade a eles?

O vampiro pode compartilhar sua cama, ora como um parceiro amoroso, ora como um estranho frio e distante.