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REFORMA PROTESTANTE

Lewis W. Spitz

A reforma protestante do século XVI foi um movimento dentro da cristandade ocidental para purgar a igreja de abusos medievais e restabelecer as doutrinas e práticas que segundo criam os reformadores, concordavam com a bíblia e com o modelo de igreja do Novo Testamento. Isto conduziu a um rompimento entre a igreja católica Romana e os reformadores, cujas crenças e práticas passaram a ser chamadas de protestantes.

CAUSAS

Os fatores causadores da reforma foram complexos e interdependentes entre si. Como movimentos precursores da reforma podem incluir os lolardos, fundado por John Wycliffe e os husitas com João Huss durante os séculos XIV e XV. Entretanto estes grupos de reformadores estavam localizados na Inglaterra e Bohemia e foram em grande parte suprimidos. Dois fatores tiveram papéis importantes no evento da reforma protestante, os quais foram às mudanças no clima intelectual e político.

CLIMA INTELECTUAL

O renascimento cultural melhorou o nível da educação e enfatizou os antigos clássicos, contribuiu para o pensamento e a erudição e ofereceu o humanismo e a retórica como alternativas ao escolasticismo. Especialmente através de suas ênfases nos idiomas bíblicos e cuidadosa atenção aos textos literários, o renascimento possibilitou a exegese bíblica que conduziu a reinterpretação doutrinal de Martinho Lutero.
Os humanistas como Erasmo criticaram os abusos eclesiásticos e promoveram o estudo da bíblia e o dos pais da igreja. A invenção da imprensa por Gutenberg proporcionou um instrumento de grande alcance para a expansão da erudição e ideias da reforma.

CLIMA POLÍTICO

Que sérias corrupções se estendia pela igreja era já evidente, razão pela qual o papa Inocêncio III convoca o concílio de Latrão através da Bula Vineam Domini Sabaoth de 10 de abril de 1213 a fim de reforma-la. O papado mesmo se enfraqueceu por seu translado de Roma a Avignon (1309-77), e pelo grande cisma que durou quatro décadas posteriores a ele, e em razão da doutrina de que a autoridade suprema da igreja residia nos concílios gerais (conciliarismo). Os papas do renascimento eram notoriamente mundanos; aumentaram os abusos tais como simonia, nepotismo e excessos financeiros, o comércio e a imoralidade minaram a igreja. A venda de indulgência era uma prática particularmente desafortunada porque afetava o arrependimento e a correção da vida. Ao mesmo tempo se manifestou um genuíno ressurgimento da religiosidade popular, incrementando a disparidade entre as expectativas do povo e a capacidade da igreja satisfazer suas necessidades espirituais. Alguns se voltaram ao misticismo. Porém a grande massa estava agitada e descontente.

Na idade média ocorreu uma mudança política significativa. O santo império romano perdeu coesão como resultado de lutas contra o papado e se viu debilitado pelo surgimento de principados territoriais virtualmente independentes e cidades imperiais livres. Externamente o império foi se debilitando pela evolução gradual das nações-Estados da Europa ocidental moderna; as monarquias na França, Inglaterra e mais adiante, Espanha, estavam desenvolvendo forças e unidade dinásticas que em grande medida lhes permitiram controlar a igreja ao interior de suas fronteiras.
Economicamente, o auge do comércio e a mudança a uma economia monetarizada criaram uma classe média mais forte em uma sociedade mais urbana. Durante esse período a igreja encontrou dificuldades financeiras, possuía riqueza em terras e tinha problemas para desempenhar suas extensas obrigações administrativas, diplomáticas e judiciais.

LUTERO

A reforma começou na Alemanha em 31 de outubro de 1517, quando Martinho Lutero, um professor agostiniano da universidade de Wittenberg fixo 95 teses a fim de iniciar uma discussão sobre a legitimidade da venda de indulgências. O papado considerou isso um ato de rebeldia e começou a tomar medidas contra Lutero como herege. Durante os primeiros anos os humanistas alemães apoiaram a causa de Lutero; os famosos três tratados de 1520 do reformador, Carta aberta a nobreza cristã da nação alemã sobre a reforma do estado cristão; cativeiro babilônico da igreja e acerca da liberdade do cristão, também lhe deram apoio popular de grande alcance.

Lutero foi excomungado em 1521 na dieta de Worms em abril deste ano, quando compareceu diante do santo imperador romano Carlos V e príncipes alemães, recuso retratar-se a menos que se provasse mediante a bíblia ou razão que estava equivocado. Ele sustentava que a salvação era um dom gratuito dado as pessoas através do perdão dos pecados somente pela graça de Deus, recebida por aquelas por meio da fé em Cristo. Lutero foi protegido por Frederico III da Saxônia e outros príncipes alemães apoiaram os reformadores em parte por convicção intelectual e religiosa; em parte pelo desejo de apoderar-se da propriedade eclesiástica e em parte para afirmar sua independência do controle imperial. Em 1530 muitos príncipes e cidades firmaram a confissão de Augsburgo apresentada a dieta de Augsburgo como expressão da fé evangélica. Ficou estabelecido que cada príncipe alemão determinaria a filiação religiosa de seu território.
O luteranismo se converteu também em religião oficial na Dinamarca, Suécia, Noruega e Finlândia. Fora do rol dos príncipes, a reforma se estendeu rapidamente como movimento popular penetrando na Polônia, Bohemia, Morávia e Hungria.

ZWINGLIO

Na suíça a reforma se desenvolveu inicialmente em Zurique debaixo da direção do sacerdote Ulrich Zwinglio que havia sido influenciado por Erasmo e pelo humanismo cristão. Ele chegou a uma concepção evangélica do cristianismo por seu estudo da bíblia e contatos com os luteranos. Em 1° de janeiro de 1519 começa uma série de seis anos de sermões sobre o Novo Testamento que levou ao conselho da cidade e ao povo de Zurique para a reforma. A resposta favorável aos 67 artigos que ele preparou em 1523 para discussão pública com um representante papal provou o valor de seu programa. Sua influência se estendeu a outros cantos da Suíça, tais como Basiléia e Berna.

CALVINO

O movimento evangélico se expandiu para a França, ali ganhou muitos conversos, entre eles João Calvino. Em 1536 Calvino foi a Genebra, onde se desenvolvia uma reforma conduzida por Guillaume Farel. Calvino foi persuadido a permanecer em Genebra e ajudar a organizar a segunda maior onda do protestantismo. Em suas ordenanças de 1541, deu uma nova estrutura a igreja que consistia em pastores, doutores, anciãos e diáconos. As Institutas da religião cristã (1536) tiveram grande influência na França, Escócia e entre os puritanos na Inglaterra. Genebra se converteu no centro de uma grande empresa missionária que entrou na França, aonde os huguenotes chegaram a ser tão poderosos que em 1559 se reuniu em Paris um sínodo para organizar uma igreja nacional de umas 2.000 congregações reformadas. Como resultado das guerras religiosas francesas, o partido huguenote foi controlado e a monarquia francesa se manteve católica.

INGLATERRA

Embora na Inglaterra houvesse um movimento de reforma religiosa influenciado pelas ideias de Lutero, a reforma inglesa foi resultado direto dos esforços do rei Henrique VIII por divorciar-se de sua primeira mulher, Catarina de Aragão. A ruptura formal com o papado foi organizada por Thomas Cromwel, principal ministro do rei; debaixo de sua direção o parlamento aprovou a lei de restrições de apelações (a Roma-1533), seguida pela lei de supremacia (1534) que definia plenamente a liderança real sobre a igreja.
Como arcebispo, Thomas Cranmer anulou o matrimônio de Henrique e Catarina, permitindo que o rei casasse com Ana Bolena. Embora o próprio Henrique não quisesse fazer mudanças doutrinárias, Cromwel e Cranmer autorizaram a tradução da bíblia ao inglês, e Cranmer foi o grande responsável pelo livro de oração comum, adotado no governo de Eduardo VI sucessor de Henrique. Os avanços do protestantismo na gestão de Eduardo (1547-53) foram perdidas sob sua irmã católica Maria I(1553-58), porém a consolidação religiosa(1559) sob Isabel I assegurou o ambiente anglicano.

OS RADICAIS


Os radicais foram uma grande variedade de grupos sectários conhecidos como anabatistas, assim chamados devido a sua oposição comum ao batismo infantil. O primeiro líder anabatista Thomas Munzer desempenhou um papel principal na guerra do campesinato (1524-26), suprimida com a ajuda de Lutero.
Com Munster os anabatistas radicais estabeleceram (1533) uma teocracia de curta duração em que a propriedade era comunitária, o qual também foi drasticamente suprimido. Os radicais também englobavam evangélicos e espiritualistas que desenvolveram filosofias religiosas sumamente individualistas.

RESULTADOS

A divisão da cristandade ocidental em áreas protestantes e católicas foi um resultado óbvio da reforma, outro resultado foi a instauração de igrejas nacionais, que reforçaram o crescimento de estados nacionais modernos, assim como antes a crescente consciência nacional havia facilitado o desenvolvimento da reforma.
Finalmente, a reforma introduziu mudanças radicais no pensamento,  na organização e políticas eclesiásticas, e assim começaram muitas das tendências que caracterizam o mundo moderno.

Tradução livre- Adriano Carvalho.