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CARACTERÍSTICAS DA HERMENÊUTICA DE PAULO

Por Weldon E. Viertel


Paulo foi um teólogo que utilizou seu conhecimento rabínico para encontrar o apoio do Antigo Testamento para seu entendimento de Cristo. Depois de sua conversão sua ênfase foi o engano cego do homem e sua esperança redentora na morte e ressurreição de Cristo. Paulo estabeleceu em suas epístolas, especialmente em Romanos, uma expressão sistemática da doutrina de Cristo.
Ele utilizou a tipologia para aplicar as Escrituras do Antigo Testamento a Cristo (1Ts 1.7; 2Ts 3.9). Usualmente “Tipo” significa “exemplo”. As experiências dos Israelitas no deserto foram um exemplo para os cristãos (1 Co 10.6,7). Adão foi chamado “figura do que havia de vir” (Rm 5.14). Em Gálatas 3.16b aparecem traços do literalismo rabínico: “Não diz: E aos descendentes, como se falando de muitos, porém como de um só: E ao teu descendente, que é Cristo”.
Apesar de “semente” em Gn 13.15 se referir a todos os descendentes de Abraão, Paulo interpretou a palavra para significar a Cristo, no singular. Cristo foi o herdeiro de Abraão e rechaçar a Cristo era rechaçar a essência da promessa abraâmica. Chegou a essa conclusão utilizando métodos de interpretação de seu próprio tempo, em vez de usar nossos métodos contemporâneos de exegese histórica.


Tanto os gregos como os judeus utilizavam a alegoria (falar figurativamente). Os gregos, especialmente os estoicos, utilizavam a alegoria para interpretar os mitos relativo aos deuses. Os rabinos entendiam que as Escrituras continham significados ocultos; eles usavam o método alegórico para extrair os significados ocultos.
Paulo usou a interpretação alegórica de uma passagem do Antigo Testamento para ilustrar a diferença entre a escravidão debaixo da lei e a liberdade debaixo da graça (Gl 4.22-26).

Paulo vai mais além do entendimento literal e histórico do relato de Hagar e Sara, quando aplica ao Israel escravizado e ao livre. Sua interpretação, entretanto difere da verdadeira alegoria, porque ele não nega a realidade da história do Antigo Testamento. O relato é uma figura de uma verdade espiritual. O uso por Paulo da alegoria indica que o método não é eticamente errôneo, porém é uma maneira inferior de discernir o significado real das Escrituras. Seu uso dos filhos de Abraão como exemplos do escravo e do livre não é totalmente forçado.

A interpretação de Paulo do Antigo Testamento é Cristocêntrica; O Cristo redentor é o ponto para o qual estava se movendo toda a história do Antigo Testamento. As passagens se referem a Ele porque Ele é o cumprimento do Antigo Testamento. Às vezes se usa a tipologia para aplicar a Cristo. O servo sofredor de Isaías 53 preconiza o sofrimento de Cristo. As promessas de Deus a Abraão e a seus descendentes chegaram a serem as promessas de Deus aos crentes em Cristo, o novo Israel.
Paulo entendia que Cristo era aquele por meio do qual o mundo foi feito e sustentado. O milagre de Deus ao prover água e comida no deserto foi na realidade o Cristo pé-encarnado provendo para o seu povo. Em três lugares aparece o dom milagroso da dádiva da água na rocha. Nos três casos era o Cristo divina sendo providência para seu povo. Para Paulo, Cristo era a rocha, e quem provia as necessidades físicas do povo, e lhes seguia de lugar em lugar (1Co 10.1-7).

A aplicação contemporânea de Paulo daquele relato enfatizava o Cristo espiritual, que como uma rocha espiritual podia prover as necessidades de seu povo. A linguagem de Paulo pode parecer ilógica se não olharmos abaixo da superfície física para ver a providência divina através dos recursos físicos.

 Paulo enfatizou que as Escrituras permaneceram encobertas por um véu até que fosse removido por Cristo. Os judeus não podiam entender a lei de Moisés porque o véu cobria seus corações. Somente através da obra do Espírito podia ser retirado o véu e entendidas as Escrituras (2Co 3.14-). O Espírito não conduz a escravidão da lei, mas capacita o cristão para entender o Antigo testamento como um livro espiritual. Sem o Espírito Santo o leitor não pode entender o Antigo Testamento, porque está cego por Satanás (2Co 4.3).

Grant proporciona o seguinte resumo dos princípios de interpretação de Paulo:

1-Tudo está definitivamente determinado por referência a cristo.

2- A forma exterior da interpretação do Antigo Testamento é similar a dos rabinos, porém o conteúdo é diferente:

(a) Paulo tomou bastante liberdade com o significado original das passagens que citou.

(b) Colocou muita ênfase sobre as palavras individuais à custa do contexto.

A hermenêutica de Paulo foi similar a dos rabinos enquanto a forma, porém diferia em perspectiva e conteúdo.