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TEMA: O servo sofredor


TEXTO: MARCOS 8.31-38

Segundo Papias (140 d.c), Marcos era o “intérprete de Pedro”.

Pano de fundo: Jesus¹ fala publicamente sobre seu sofrimento rejeição e sua morte v31, 32. Esse discurso de Jesus provocou um mal estar entre os que o ouviam. Então Pedro aturdido pelo que ouviu chama Jesus à parte e começa a reprová-lo. A reprovação de Pedro se justifica em parte pelo fato da tradição judaica ao longo dos anos cultivar uma concepção messiânica sem base bíblica. Em Isaías 53 é dito que o Messias seria um servo sofredor. Ali estava a descrição da humilhação e sofrimento que o Messias enfrentaria. Mas o messianismo inter-bíblico não via as coisas por essa ótica. As ideias judaicas a respeito do Messias é que ele seria um rei da estirpe de Davi e conduziria Israel em triunfos. Esse rei glorioso faria de Jerusalém o centro do mundo. E o mundo estaria sujeito a ela. Os inimigos de Israel seriam todos derrotados e o mais forte e poderoso exército do mundo seria aquele que estivessem sob o comando do Messias. Ninguém poderia resistir ao Messias e a Israel!

 O discurso de um Messias sofredor rejeitado e humilhado com certeza era aterrorizador para os discípulos(que eram judeus). Foi por essa razão que Pedro censurou o Mestre. O povo estava errado, Pedro estava equivocado! O Messias não veio estabelecer um reino visível! O reino que o Messias veio estabelecer foi construído em meio a muito sofrimento. E todos quando o senhor chamar para participar deste reino terão que enfrentar as mesmas coisas que o Nosso Senhor enfrentou. A bíblia não nos ilude, ela é clara em afirmar que a vida do cristão se constrói e se desenrola em meio às adversidades e os sofrimentos:

Nós somos co-participantes dos sofrimentos de Cristo (1Pedro 4.13). Em 2Co 11. 24-28 lemos as descrições dos sofrimentos do apóstolo Paulo como pregador do evangelho. A bíblia diz que quanto mais levamos a sério a vida cristã, mais perseguições sofreremos (2Tm3.12).Quanto mais sincero formos na nossa relação com Cristo, mais padeceremos. Há pelo menos duas razões para isso:

A vida cristã vivida na sua intensidade resulta naturalmente em rejeição ao mundano e ao carnal. É a guerra contra o pecado.

A luz não combina com as trevas. A condição natural do Cristão no mundo é uma condição de conflito. Ser crente é entrar compulsoriamente em uma realidade conflitante. É a guerra contra tudo que se alimenta do pecado.
     
Jesus nunca ofereceu aos seus seguidores vida fácil. Seguir a Cristo é uma experiência maravilhosa, mas notadamente marcada pelas injustiças, perseguições e muitas outras coisas. O seguidor de Cristo tem que estar preparado para lidar com esses desconfortos e adversidades do ministério cristão. O próprio ministério de Cristo é nosso paradigma.  Marcos descreve isso muito bem. Vejamos:
A primeira cena forte do evangelho de Marcos se desenrola após a cura de um paralítico que além de curado tem seus pecados perdoados. E por ter perdoado o pecado do paralítico Jesus foi acusado de cometer blasfêmia pelos escribas. (2.7).
(3.6) lemos a respeito de uma conspiração entre fariseus e herodianos para matar Jesus.
                                                                                                                                                       
(3.21) Jesus é acusado de insanidade por seus parentes.

(3.22) Os escribas terminam sua tese sobre Jesus a conclusão da mesma é que Jesus está possesso de belzebu.

(5.17) Jesus recebe a condenação do povo “retira-te daqui”.

(6.3) Jesus recebe a condenação da sua terra natal.
     
      (7.5) Novamente os religiosos da época lançam ataques contra Jesus.
Como podemos ver a ênfase de Marcos na pessoa de Jesus é a de um servo sofredor.

    Desta forma Marcos prepara os seus destinatários para enfrentar os sofrimentos e as perseguições com o mesmo destemor com o qual Jesus os enfrentou.
A idéia de Marcos é oferecer a igreja um modelo inspirador e encorajador, quando em perseguição e sofrimento. Esse modelo é Cristo.
 O texto em questão precisa ser visto dentro da moldura do que acabamos de dizer.
 É com a imagem das adversidades e sofrimentos enfrentados por Jesus que temos que ler o texto em questão desta noite: Marcos 8.35. E ao mesmo tempo notarmos que o que Jesus oferece aos seguidores não é nada mais do que aquilo que ele mesmo vivenciou, experimentou. Examinemos agora as três sentenças principais do texto.

(1)Negar-se a si mesmo. Gr. Aparneomai imperativo do aoristo médio (dizer não a si mesmo). Quando somos chamados à experiência da vida cristã somos convocados a iniciarmos uma guerra contra nosso eu(nossa natureza pecaminosa). O discípulo de um rabino deveria abrir mão de muita coisa para servir seu mestre.

(2)Tome a sua cruz. Na época de Jesus essa expressão figurada era compreendida facilmente por qualquer pessoa. A execução por crucificação era aplicada quando se queria tirar não só a vida do criminoso, mas também sua honra e expô-lo ao desprezo absoluto e a aniquilação moral. Tomar a cruz é estar aberto ao sofrimento pelo testemunho do evangelho. Há uma descrição paulina que resume bem isso: “levando sempre no corpo o morrer de JesusSempre entregues à morte-( 2Co 4.10,11).  A teologia da cruz se aplica ao discípulo tanto quanto ao mestre.

(3)Siga-me. A disposição para seguir a cristo é construída sob as bases da hostilidade e oposição social. A história prova isso. Quanto mais hostilidade, quanto mais oposição, mais a igreja de Cristo cresce. A dor,a dificuldade é um elemento inspirador, é um tipo de entorpecente(no bom sentido) para o crente. Isso é simplesmente incrível.
A bíblia diz que os crentes exultam em meio as mais ardentes provações. (1Pedro 1.6). Exultar é ser tomado de uma alegria intensa. E aqui não há nada de ilógico, pois a bíblia aponta uma razão para essa alegria:
  “UMA VEZ CONFIRMADO O VALOR DA VOSSA FÉ” (1PEDRO 1.7). O sofrimento cristão purifica a fé, isto é, aprofunda e amadurece nossa relação com Nosso Salvador.

Concluo dizendo:
    
JESUS NUNCA OFERECEU AOS SEUS DISCÍPULOS UM CAMINHO FÁCIL, BUSCOU SEMPRE DESAFIÁ-LOS!

O desafio envolve Cruz, lágrimas e sangue.
 Marcos acrescenta mais um detalhe a isso: O servo sofredor é o servo vitorioso:

ELE É VITORIOSO SOBRE SATANÁS 1.13.
ELE É VITORIOSO SOBRE OS DEMÔNIOS 1.27
ELE É VITORIOSO SOBRE AS ENFERMIDADES 1.29-34.
ELE É VITORIOSO SOBRE A MORTE 16.9.

MESMO EM MEIO A TODA HOSTILIDADE SOFRIDA JESUS FOI VITORIOSO E O MESMO APLICA-SE A IGREJA.
 (¹ Resumo da pregação proferida no culto do UPH na Igreja Presbiteriano do Brasil em Magé)